O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão, Friedrich Merz, elogiaram neste domingo (19), na Alemanha, o acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e os países do Mercosul frente ao “unilateralismo”, em uma crítica indireta ao presidente americano Donald Trump.

O tratado, que será aplicado provisoriamente a partir de 1º de maio, “tornará todas as economias participantes mais fortes, mais independentes e mais resilientes”, afirmou o chanceler durante a abertura da feira industrial de Hanover, no norte da Alemanha.

Lula destacou que “diante do unilateralismo, o Mercosul e a União Europeia escolheram a cooperação”.

“Daqui a menos de duas semanas entrará em vigor o acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB de 23 trilhões de dólares. Mais comércio e mais investimento significam novos empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico”, declarou Lula.

O acordo comercial entre a UE e os países do Mercosul - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - será primeiro aplicado provisoriamente, à espera de que a Justiça do bloco se pronuncie sobre um recurso do Parlamento Europeu.

A Comissão Europeia, braço executivo, optou por uma aplicação provisória enquanto aguarda a decisão do Tribunal de Justiça da UE, em um processo que se estima durar um ano e meio.

O prolongado acordo comercial entre os dois blocos é muito criticado pelo setor agrícola na França, mas é apoiado pelos governos da Alemanha e da Espanha.

Lula ressaltou que “existem inúmeras complementariedades ainda não exploradas entre as duas regiões” e afirmou que o Brasil pode ajudar a UE a reduzir os custos de energia e descarbonizar sua indústria.

“Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, ressaltou.

O presidente também instou a “combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade” da agricultura brasileira.

“Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético”, argumentou.

A Alemanha busca, com esse acordo, encontrar novos mercados para exportar seus produtos e reativar sua combalida economia, e o Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, representa muitas oportunidades.

Merz afirmou que a feira industrial de Hanover, que atrai mais de 3.000 empresas, é uma oportunidade para demonstrar a “confiança” que existe entre a Europa e a América do Sul, baseada em “uma cooperação com o menor número possível de tarifas e, se possível, sem nenhuma”.

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