Uma deputada francesa gerou polêmica na França com sua proposta de lei para combater "novas formas de antissemitismo" que, para seus críticos, poderia limitar a liberdade de expressão e fomentar um perigoso embate entre judeus e Israel.

O Parlamento deveria debater a proposta nesta quinta-feira (16), mas a deputada governista Caroline Yadan acabou retirando-a diante da mobilização da esquerda para impedir sua votação. Segundo seu grupo, o governo apresentará em junho um projeto de lei que retoma a "totalidade" de suas propostas.

A França abriga a maior comunidade judaica da Europa. Desde o ataque do movimento islamista palestino Hamas em outubro de 2023 e o início da ofensiva israelense em Gaza, as autoridades francesas alertaram para um aumento de atos antissemitas. Em 2025, foram 1.320. 

Diante deste aumento, Yadan, eleita deputada pelos franceses que vivem em Israel e em outros países mediterrâneos, havia apresentado tal proposta para combater o "ódio antijudaico" que, segundo seu texto, hoje é alimentado pelo "ódio obsessivo a Israel". 

Contudo, seus críticos consideram que, se fosse aprovada, representaria um risco para a liberdade de expressão e fomentaria uma perigosa confusão entre os judeus e Israel. Mais de 700.000 pessoas assinaram uma petição convocando a votar contra o texto.

Especialistas da ONU, o Sindicato da Magistratura francês — considerado de esquerda —, ONGs como a Anistia Internacional ou a Liga dos Direitos Humanos e partidos de esquerda também se opuseram a essa iniciativa. 

"É uma lei que faz algo extremamente grave, pois assimila nossos concidadãos e concidadãs judeus à política genocida de Netanyahu", afirmou a deputada de esquerda radical Mathilde Panot, durante um protesto diante do Parlamento.

Esta proposta previa ampliar o âmbito do crime de apologia do terrorismo, acrescentando a noção de "implícito", ao mesmo tempo que criava um novo crime que pune os apelos à destruição de um Estado. 

"O texto parte de uma intenção muito boa", mas "não será esta lei que resolverá o problema", com uma formulação "extraordinariamente torpe que abre a porta a múltiplos abusos ou más interpretações", declarou à AFP Nonna Mayer, pesquisadora em Ciências Sociais. 

Antes de Yadan retirar o texto, uma fonte do governo disse à AFP que, caso não avançasse, apresentariam um projeto de lei sobre a questão "elaborado com o conjunto das forças parlamentares".

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