A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, advertiu nesta quarta-feira (15) que tempos difíceis se aproximam para a economia mundial se a guerra no Oriente Médio não for resolvida e os preços do petróleo se mantiverem altos.

"Devemos nos preparar para tempos difíceis" se o conflito persistir, disse ela a jornalistas em uma coletiva de imprensa durante as reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial em Washington.

O encontro reúne nesta semana, na capital dos Estados Unidos, líderes governamentais e financeiros com responsáveis pela política econômica que buscam limitar as repercussões econômicas da guerra.

Os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro provocaram a represália de Teerã, que praticamente fechou o Estreito de Ormuz, uma rota-chave para o transporte de petróleo e fertilizantes.

Desde então, os preços da energia dispararam, pressionando os países, especialmente as economias vulneráveis e aquelas dependentes das importações de petróleo da região.

"Estamos preocupados com os riscos para a inflação, que sejam transmitidos aos preços dos alimentos se as entregas de fertilizantes a um preço razoável não forem retomadas em breve", disse Georgieva.

Mas, à medida que os países tentam limitar o impacto da alta de preços sobre seus cidadãos, Georgieva instou os bancos centrais a "esperar para ver" antes de ajustar as taxas de juros, se possível.

Segundo ela, este é um caso em que a população tem expectativas "bem ancoradas" de que a inflação permanecerá sob controle. "Se conseguirmos sair rapidamente da guerra, pode não ser necessário tomar medidas", afirmou.

Mas reconheceu que os países cujos bancos centrais carecem dessa credibilidade podem ser obrigados a enviar sinais mais contundentes.

Por ora, "continuamos em um momento em que uma resolução mais rápida das hostilidades é possível", declarou.

Georgieva pediu aos países-membros do FMI que batam à porta da instituição se precisarem de assistência financeira durante o conflito.

"Temos 39 programas, e uma demanda por novos programas de pelo menos uma dúzia de países, vários deles na África Subsaariana", disse, sobre a ajuda financeira do Fundo.

"Se precisarem de ajuda financeira, não hesitem. Ajamos rápido, porque quanto antes atuarmos, mais poderemos proteger a economia e a população", destacou a diretora-geral.

Ela também enfatizou a importância da sustentabilidade fiscal à medida que os países adotam medidas econômicas para ajudar seus habitantes. "Medidas não focadas, controles à exportação ou cortes tributários generalizados" poderiam "prolongar a dor dos preços elevados", apontou.

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