Uma associação de imprensa estrangeira acusou o Exército israelense nesta quarta-feira (15) de difamar um jornalista libanês morto pelos militares, ao divulgar uma imagem gerada por IA do repórter com o uniforme do Hezbollah.
Três jornalistas libaneses, entre eles Ali Shoeib – destacado correspondente da emissora Al-Manar, afiliada ao movimento xiita Hezbollah – morreram em um ataque israelense no Líbano em 28 de março.
O Exército israelense reconhece que matou Shoeib e justificou o assassinato alegando que o repórter "atuava dentro da organização terrorista Hezbollah sob o disfarce de jornalista".
Apesar de não apresentar provas para sustentar essa acusação, publicou no X uma imagem manipulada de Shoeib, na qual aparece metade usando um colete de imprensa e na outra o uniforme do movimento islamista Hezbollah.
O Exército acrescentou a mensagem: "Acontece que o 'colete de imprensa' não passava de uma fachada para o terrorismo".
Um dia depois, o porta-voz militar, tenente-coronel Nadav Shoshani, publicou no X outra imagem desfocada que supostamente mostra Shoeib de uniforme ao lado de um tanque, com a mensagem: "Publicamos esta manhã esta foto sem edição do terrorista Ali Shoeib vestido com o uniforme do Hezbollah".
O Exército reconheceu que a primeira foto havia sido "editada".
A Associação de Imprensa Estrangeira (The Foreign Press Association, FPA), que representa centenas de repórteres em Israel e nos territórios palestinos, afirmou que o Exército divulgou uma imagem "falsa" em 28 de março para "desacreditar o jornalista".
"Durante as guerras recentes, desacreditar jornalistas e semear dúvidas difundindo informações imprecisas e lançando acusações sem apresentar provas claras tem sido uma prática habitual do Exército israelense", acrescentou.
Mais de 200 jornalistas palestinos foram mortos por fogo israelense desde outubro de 2023, segundo a FPA.
"Israel afirma que alguns eram combatentes, mas em muitos casos fornece poucas ou nenhuma prova que sustente essa alegação", declarou a associação, criticando o que descreve como o "uso inadequado da IA" no caso de Shoeib.
Em resposta a um pedido de comentários sobre a declaração da FPA, o Exército remeteu a AFP à publicação de Shoshani de 29 de março no X.
Desde o início de uma rodada anterior de hostilidades entre Israel e o Hezbollah em 2023, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) documentou a morte de pelo menos 11 destes profissionais e trabalhadores da imprensa por Israel no Líbano.
A guerra no Irã, que eclodiu após os ataques dos Estados Unidos e de Israel, ampliou-se para o Líbano em 2 de março, quando o Hezbollah, aliado do Irã, lançou projéteis no território israelense.
Israel respondeu com bombardeios em grande escala em todo o Líbano e lançou uma invasão no sul.
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