A discussão sobre uma semana de trabalho com quatro dias ganha força no Brasil, mas em várias partes do mundo o modelo já deixou de ser um debate para se tornar realidade. Governos e empresas testam ou implementam jornadas reduzidas, geralmente sem corte de salário, em busca de mais produtividade e bem-estar para os funcionários.
A proposta central não é simplesmente trabalhar menos, mas otimizar o tempo. A ideia é que, com mais descanso, os profissionais se tornem mais focados e eficientes durante o expediente. Os resultados práticos variam, mas costumam apontar para menor esgotamento e maior retenção de talentos nas companhias que adotam a mudança.
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Enquanto o tema avança lentamente em território nacional, outras nações já colhem os frutos de suas iniciativas, que vão desde projetos piloto financiados pelo governo até legislações que garantem maior flexibilidade aos trabalhadores.
Onde a jornada reduzida já é uma realidade?
Diversos países já implementaram a semana de quatro dias de trabalho em diferentes formatos. Conheça oito exemplos e os resultados obtidos:
Islândia
Considerado o pioneiro no assunto, o país realizou testes em larga escala entre 2015 e 2019 com mais de 2.500 trabalhadores. O resultado foi um sucesso: a produtividade se manteve ou aumentou na maioria dos locais, e o bem-estar dos funcionários melhorou de forma significativa. Atualmente, cerca de 86% da força de trabalho islandesa já trabalha em jornadas reduzidas ou tem esse direito garantido.
Bélgica
Desde 2022, os trabalhadores no país ganharam o direito legal de solicitar a condensação de sua carga horária semanal em quatro dias, sem perda de salário. A medida oferece mais flexibilidade para organizar a vida pessoal e profissional.
Reino Unido
Em 2022, realizou o maior teste global do modelo, com 61 empresas. Ao final do piloto, 92% delas decidiram manter a jornada de quatro dias, citando impactos positivos na produtividade, na saúde mental da equipe e na capacidade de atrair talentos.
Espanha
O governo lançou um projeto piloto para incentivar pequenas e médias empresas a testarem a semana de 32 horas. As companhias que participam recebem ajuda financeira para cobrir os custos iniciais da transição.
Portugal
O país iniciou em 2023 um teste voluntário com dezenas de empresas do setor privado. O projeto não envolve financiamento do governo e a participação é reversível, permitindo que as companhias avaliem os impactos antes de uma decisão definitiva. Dados de 2024 mostram que 95% das empresas ficaram satisfeitas com o modelo.
Japão
Embora não seja uma lei nacional, o governo incentiva as empresas a oferecerem a opção de jornadas mais curtas para combater o "karoshi" (morte por excesso de trabalho). Grandes corporações, como a Microsoft Japan, relataram um aumento de produtividade de quase 40% durante seus testes. Recentemente, Tóquio aprovou o modelo para funcionários públicos a partir de 2025.
Emirados Árabes Unidos
O país se tornou a primeira nação a adotar oficialmente uma semana de trabalho mais curta para o setor público. Desde 2022, os funcionários do governo trabalham quatro dias e meio, com o expediente de sexta-feira encerrando ao meio-dia.
Escócia
O governo financia um programa piloto para ajudar empresas a migrarem para a semana de quatro dias. A iniciativa faz parte de uma promessa de campanha do partido governista para melhorar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal dos cidadãos.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
