Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi detido nesta segunda-feira (13) nos Estados Unidos, para onde havia fugido após ser condenado junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.

O ex-policial, de 53 anos, foi condenado no ano passado a 16 anos de prisão depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) o considerou culpado, junto com Bolsonaro, de conspirar para manter o ex-presidente no poder apesar de sua derrota nas eleições de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A Polícia Federal (PF) informou em nota que "um brasileiro condenado pelo Supremo Tribunal Federal foi preso, nesta segunda-feira (13/4), em Orlando/ Flórida, pelo U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) dos Estados Unidos da América (EUA)".

Uma fonte da PF confirmou à AFP, sob anonimato, que se trata de Ramagem, cujo nome aparece no site oficial da polícia migratória dos Estados Unidos como "detido pelo ICE".

A PF especificou que "o preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, de golpe de Estado e de tentativa de abolição violenta do Estado de Direito".

Segundo a imprensa, Ramagem deixou o Brasil pela Guiana, sem passar pelos controles migratórios, e entrou nos Estados Unidos com um passaporte diplomático.

O Brasil solicitou formalmente sua extradição em dezembro.

O comunicado da Polícia Federal destacou que a detenção "decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais dos EUA".

O influenciador Paulo Figueiredo, muito próximo da família Bolsonaro, afirmou, no entanto, que "o governo brasileiro não teve nenhuma participação" neste episódio.

Segundo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos, Ramagem foi detido "por uma infração leve de trânsito" e levado a uma instalação do ICE.

Paulo Figueiredo, neto de João Figueiredo, último general a presidir o Brasil durante a ditadura militar, disse na plataforma X que Ramagem tem status migratório legal enquanto aguarda um pedido de asilo pendente.

"Nossa expectativa é de que seja liberado o mais rapidamente possível e, no momento, não vemos qualquer risco de deportação", acrescentou em sua mensagem, que foi compartilhada por Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do ex-presidente e radicado nos Estados Unidos.

- Espionagem ilegal -

Ramagem foi condenado no mesmo processo em que Bolsonaro recebeu uma sentença de 27 anos de prisão.

No ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou uma ofensiva comercial contra o Brasil por considerar esse julgamento "uma caça às bruxas" contra seu aliado Bolsonaro.

Após meses de atritos, os governos de Lula e Trump aproximaram posições, embora a relação permaneça, no mínimo, fria.

Ramagem (PL-RJ) foi eleito deputado federal para o período 2023-2027, mas perdeu seu mandato em dezembro passado após a condenação.

Homem de confiança de Bolsonaro, dirigiu durante sua presidência a Abin, entre 2019 e 2022.

Essa gestão foi alvo de investigações policiais sobre uma suposta rede de espionagem ilegal de opositores de Bolsonaro. Por esse caso, a Polícia Federal recomendou no ano passado apresentar acusações contra Ramagem e cerca de trinta pessoas, incluindo Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente.

Os investigadores suspeitam que funcionários da Abin utilizaram o programa israelense de espionagem FirstMile para monitorar ilegalmente personalidades políticas e jornalistas.

Bolsonaro cumpre atualmente sua pena em sua residência em Brasília, depois que o ministro do Supremo Alexandre de Moraes lhe permitiu deixar a prisão onde estava por razões de saúde.

Impedido de se candidatar, o líder da direita e da extrema direita brasileiras indicou seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como candidato para enfrentar Lula nas eleições presidenciais de outubro.

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