Israel anunciou, nesta sexta-feira (10), que bloqueou a participação da Espanha em um centro liderado pelos Estados Unidos, criado para ajudar a estabilizar a situação na Faixa de Gaza após o cessar-fogo entre Israel e Hamas.
O Centro de Coordenação Civil-Militar (CMCC, na sigla em inglês), localizado em Kiryat Gat, foi criado após a entrada em vigor do cessar-fogo em 10 de outubro, com o objetivo de monitorar a trégua e facilitar a entrega de ajuda humanitária ao território palestino.
O CMCC é composto por militares e diplomatas de diversos outros países, incluindo França, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos, que participam de reuniões sobre questões de segurança e humanitárias em Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra.
Até então, representantes da Espanha também participavam dos trabalhos do CMCC.
No entanto, nesta sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou sua decisão de impedir a participação da Espanha nas reuniões do CMCC.
"O viés anti-Israel do governo de [Pedro] Sánchez é tão extremo que perdeu toda a capacidade de agir construtivamente na implementação do plano de paz do presidente [Donald] Trump no CMCC", disse o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, em um comunicado.
"A Espanha não terá permissão para participar do CMCC em Kiryat Gat", insistiu ele.
As relações entre Israel e Espanha deterioraram-se desde que Madri reconheceu o Estado palestino em 2024.
Ambos os países retiraram seus embaixadores.
O primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, tem sido um dos críticos mais contundentes da guerra de Israel em Gaza, que eclodiu após o ataque do movimento islamista palestino Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.
Sánchez também se opôs aos bombardeios militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que começaram em 28 de fevereiro.
Saar já havia acusado o governo espanhol de "se aliar a tiranos" por se opor aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Também acusou a Espanha de ser "cúmplice na incitação ao genocídio contra judeus e de crimes de guerra" após reconhecer o Estado palestino.
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