Milhares de indígenas chegaram no domingo (5) a Brasília para o Acampamento Terra Livre, evento anual dos povos originários, que pretende reivindicar o direito sobre territórios ancestrais. 

Os indígenas permanecerão acampados na capital até sexta-feira (10), com danças, música, debates e manifestações na emblemática Esplanada dos Ministérios.

"O Estado brasileiro tem uma dívida monstruosa com os povos indígenas e cada avanço de demarcação, cada processo de políticas públicas para os povos indígenas é um passo a mais para saldá-la", declarou à AFP  Alcebias Sapará, porta-voz da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

As comunidades originárias reivindicam o direito sobre terras em uma disputa contra o poderoso setor agrícola e seus aliados no Parlamento. 

O Congresso, de maioria conservadora, aprovou em 2023 uma lei que limita as reivindicações dos povos nativos do Brasil aos territórios onde estavam presentes quando a Constituição foi promulgada em 1988. 

Os indígenas rejeitam a tese e argumentam que muitos povos autóctones foram expulsos ao longo da história de seus territórios ancestrais, em particular durante a ditadura militar (1964-1985).

A questão está sendo analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

O Acampamento Terra Livre reúne representantes dos povos originários do Brasil desde 2004.

Os organizadores esperam entre 7.000 e 8.000 participantes neste ano. Na terça e na quinta-feira, os indígenas pretendem marchar até as sedes dos poderes públicos em duas manifestações direcionadas ao Congresso e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, respectivamente.

Em fevereiro, o governo revogou um decreto que ampliava portos em rios amazônicos para o transporte de grãos, após várias semanas de protestos indígenas diante de um terminal do grupo americano Cargill na cidade de Santarém, no Pará. 

Os indígenas, no entanto, exigem que o governo vá mais longe e demarque seus territórios.

jss/vel

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