O tênis de mesa não esperou pelo filme "Marty Supreme" para decolar nos Estados Unidos. Em um panorama esportivo ultracompetitivo, a modalidade é impulsionada por uma recente liga profissional que, pouco a pouco, vai encontrando seu espaço, com um público e um nível de jogo em ascensão.

Uma centena de torcedores, de pé, em um ginásio perto de Princeton, Nova Jersey, vibraram na tarde de sábado (28) quando Kotomi Omoda deu a vitória ao Portland Paddlers sobre o Florida Crocs. 

"Todos nós já jogamos no porão de casa ou no centro comunitário, (...) por isso conhecemos este esporte, mas nunca o vimos ao vivo a este nível", diz Richard Kurland, um aposentado que chegou ao duelo quase por acaso

Três anos após sua criação, a Major League Table Tennis (MLTT) mostra um crescimento sustentado, com um aumento de 50% na receita de bilheteria em relação ao ano passado, segundo o seu fundador, o empresário Flint Lane. 

Grande fã do tênis de mesa, Lane se lançou neste projeto depois de vender, em 2022, sua plataforma de pagamentos Billtrust por US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 8,9 bilhões).

"Para ser sincero, no início estava um pouco cético", admite Nikhil Kumar, dos Paddlers, que defendeu as cores dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021. 

"Mas o nível do jogo progrediu muito e os jogadores que chegam estão cada vez mais fortes", acrescenta.

- Viver de tênis de mesa? -

A liga conta agora com vários membros do Top 100 mundial, em especial, o jovem australiano Adi Sareen (63º), e a dupla feminina americana que disputou os Jogos Olímpicos de Paris de 2024, Amy Zhang (40ª) e Lily Zhang (42ª).

A MLTT não revela os salários de seus jogadores, mas nenhum consegue viver disso sem outra atividade, como Nikhil Kumar, engenheiro informático em Nova York.

"Espero que algum dia eu possa dizer que vivo do tênis de mesa", comenta em voz baixa.

Flint Lane coloca sua liga na "quarta ou quinta" posição mundial, atrás das competições chinesa, francesa, japonesa e alemã. "Mas nós não competimos com elas", adverte.

Cita como exemplo a liga americana de futebol (MLS), que gera vários bilhões de dólares em receitas sem figurar entre os melhores campeonatos do planeta.

Como sinal do sucesso da MLTT, segundo ele, os compradores do New York Slice e os Atlanta Blazers, as duas novas franquias criadas em 2025, desembolsaram, cada um, vários milhões de dólares para se tornarem seus proprietários.

Para aumentar a audiência do tênis de mesa profissional nos Estados Unidos, a liga lançou, em setembro, seu próprio canal de streaming, Table Tennis TV, assim como um ranking aberto a todos, Spindex, com a ambição de transformá-lo em um sistema equivalente ao handicap no golfe.

A federação americana (USATT) contava com pouco menos de 14 mil membros no final de 2025, mas a cadeia de salas de tênis de mesa registra 160 mil pessoas inscritas em sua plataforma. 

- "Um grande impulso" -

Para David Silberman, codiretor-geral da PingPod, "contar com uma liga profissional bem administrada dá um impulso a este esporte, tanto para os espectadores quanto para os jogadores".

Ainda mais em um país que não se beneficia de nenhum subsídio público para a prática no âmbito escolar nem de um programa de excelência.

A MLTT também espera estrear este mês as apostas esportivas, após a instalação de um sistema de controle das transações.

Pouco desenvolvidas durante muito tempo, estas apostas explodiram durante a pandemia de covid-19 até se tornarem um fenômeno.

O potencial do mercado americano não passou despercebido para a WTT, estrutura comercial comercial comparável à ATP no tênis. Desde 2025, ela incorporou ao seu calendário de "smash" —o equivalente aos torneios de Grand Slam— uma competição nos Estados Unidos, em Las Vegas. 

E o último impulso foi a estreia, no fim de dezembro, do filme "Marty Supreme", centrado no jogador de tênis de mesa Marty Mauser, inspirado no nova-iorquino Marty Reisman.

O longa-metragem de Josh Safdie, com Timothée Chalamet como protagonista, arrecadou cerca de US$ 100 milhões (cerca de R$ 523 milhões) nas bilheteiras dos Estados Unidos.

"Ouço as pessoas comentarem no escritório, nas lojas", constata Revan Raguindin, fiel torcedora do Princeton Revolution na MLTT. "O filme trouxe muita atenção para esse esporte".

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