A lenda da "Maldição do Faraó", que por um século atribuiu mortes misteriosas à abertura da tumba de Tutankamón, pode ter uma origem bem mais terrena: a vingança de um jornalista. Uma carta do próprio arqueólogo Howard Carter, leiloada recentemente, aponta o verdadeiro autor do mito que assombra o imaginário popular.
O documento, datado de 1934 e endereçado a Helen Ionides, foi arrematado por US$ 16.643 e revela a frustração de Carter com a lenda. Nele, o arqueólogo acusa diretamente o egiptólogo e jornalista Arthur Weigall, correspondente do jornal "Daily Mail”, de ter inventado toda a história por se sentir desprezado.
Leia Mais
Origem da vingança
A raiz do conflito foi um lucrativo acordo de exclusividade firmado em janeiro de 1923 entre Lord Carnarvon, o financiador da expedição, e o jornal "The Times” de Londres. O contrato, no valor de 5 mil libras e 75% dos lucros gerados pela história, garantiu ao "The Times” acesso exclusivo a todas as informações e fotografias da descoberta, deixando Weigall e a imprensa mundial de fora do maior furo jornalístico da época.
Frustrado, Weigall teria feito uma previsão sombria ao ver Carnarvon entrar na tumba: "Se ele descer com essa disposição, dou-lhe seis semanas de vida". A frase, dita em tom de despeito, se tornaria profética.
Menos de dois meses depois, em 5 de abril de 1923, Lord Carnarvon faleceu no Cairo. A causa, contudo, não foi sobrenatural. Ele morreu devido a uma infecção causada quando acidentalmente cortou uma picada de mosquito infectada enquanto se barbeava, o que resultou em envenenamento do sangue (septicemia).
A morte do lorde foi a oportunidade perfeita. Weigall e outros correspondentes excluídos usaram a trágica coincidência para tecer a narrativa da "Maldição de Tutankamón", que rapidamente capturou a imaginação do público e se perpetuou por décadas.
Explicação científica
Embora a maldição seja um mito, especialistas modernos confirmam que tumbas seladas por milênios podem abrigar perigos reais, como esporos de fungos e bactérias capazes de causar doenças graves, especialmente em pessoas com o sistema imunológico debilitado. No entanto, nenhuma das mortes associadas à equipe de Carter foi cientificamente ligada a patógenos da tumba. A carta de Carter, portanto, serve como um documento histórico que desmistifica a lenda.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Este conteúdo foi gerado e revisado com o auxílio de inteligência artificial para garantir a precisão e a qualidade das informações.
