O secretário de Estado americano, Marco Rubio, testemunhou nesta terça-feira (24) no julgamento de um amigo de longa data acusado de fazer lobby secretamente para o governo venezuelano durante o primeiro mandato de Donald Trump.
David Rivera, um republicano de 60 anos que atuou como legislador estadual da Flórida e posteriormente representou o estado na Câmara dos Representantes dos EUA, está sendo julgado em um tribunal federal de Miami por suposto lobby ilegal entre fevereiro de 2017 e dezembro de 2018.
Rubio depôs por cerca de três horas, confirmando que Rivera era "um amigo próximo", com quem chegou a dividir uma casa quando ambos eram legisladores estaduais, e negou qualquer conhecimento do suposto contrato que Rivera teria assinado com as autoridades venezuelanas.
Segundo a acusação, Rivera foi contratado pelo presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro para persuadir a Casa Branca a suavizar sua política em relação a Caracas com a ajuda de seus contatos republicanos.
A Promotoria não acusa Rubio de nenhum crime.
Rubio era senador quando se encontrou com o amigo duas vezes em julho de 2017 para discutir o futuro da Venezuela.
Segundo o secretário de Estado, antes do primeiro encontro, que durou cerca de duas horas, Rivera disse a Rubio que queria discutir o fato de que "pessoas dentro do regime de Maduro estavam dispostas a renunciar" e permitir "eleições livres e justas".
Para demonstrar a veracidade dessa informação aos Estados Unidos, Caracas iria fornecer uma carta do próprio Maduro, na qual ele reconheceria sua intenção de permitir eleições livres, conforme Rivera explicou a Rubio. Segundo Rubio, essa carta nunca chegou até ele.
Os promotores alegam que Rivera convenceu Delcy Rodríguez, então ministra das Relações Exteriores e atual presidente interina da Venezuela, a lhe conceder um contrato de 50 milhões de dólares (157 milhões de reais na cotação da época) para serviços de lobby, pagos por meio da estatal petrolífera venezuelana PDVSA.
Rivera e a assessora política Esther Nuhfer são acusados de lavagem de dinheiro e de não se registrarem como agentes estrangeiros nos Estados Unidos, entre outras acusações.
O depoimento de Rubio é pouco comum: nenhum membro de governo dos EUA em exercício havia testemunhado em um julgamento criminal desde 1983, quando o então secretário do Trabalho Raymond Donovan depôs em um julgamento contra a máfia.
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