Um fenômeno de sobretensão, um evento frequente mas desta vez fora de controle, foi a origem do "coquetel perfeito" de fatores desfavoráveis que provocou o gigantesco apagão que deixou Espanha e Portugal sem energia elétrica em 2025, confirma o relatório final de especialistas publicado nesta sexta-feira (20).

Em 28 de abril de 2025, um apagão generalizado deixou espanhóis e portugueses sem energia elétrica, sem internet, sem rede móvel e sem semáforos, além do sistema bancário paralisado, durante horas.

"O fenômeno-chave foi a ineficácia do controle da tensão dentro do sistema elétrico espanhol", resumem os 49 peritos da Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E), que atribuem o apagão a uma "combinação de múltiplos fatores em interação".

"Um coquetel perfeito de múltiplos fatores que contribuíram para o apagão", declarou Damián Cortinas, presidente do conselho de administração da ENTSO-E.

"A sequência incluiu flutuações de tensão e fenômenos de oscilação, que resultaram em desligamentos generalizados da produção na Espanha, principalmente de instalações baseadas em conversores", tecnologia utilizada nas centrais de energias renováveis, segundo o relatório.

"Na Espanha, a maioria das energias renováveis estava conectada a fator de potência fixo, que não permite contribuir para um controle dinâmico da tensão", explicou Klaus Kaschnitz, um dos coordenadores do grupo de especialistas.

Em outras palavras, as instalações não conseguiram adaptar-se aos aumentos repentinos de tensão. 

Uma sobretensão acontece quando uma tensão elétrica muito elevada circula por uma rede, sobrecarregando os equipamentos. O fenômeno pode ser provocado por um excesso de fornecimento, por raios ou pela insuficiência ou falha dos equipamentos de proteção.

As centrais de produção convencionais (especialmente as que funcionam a gás) também foram citadas no relatório porque não se ajustaram "às necessidades do sistema", o que ajudaria a administrar os fenômenos de sobretensão, assim como por seu funcionamento manual, "que exige tempo de decisão e execução".

Outro fator identificado é a particularidade da rede espanhola de alta tensão de 400.000 V, que permite uma faixa de tensão mais ampla do que no restante da Europa e reduz as margens de segurança.

Os operadores do sistema, como a Rede Elétrica Espanhola (REE), são criticados pela "falta de acompanhamento em tempo real".

Para evitar que um evento assim volte a acontecer, os especialistas aconselham automatizar a gestão da tensão para obter uma resposta mais rápida e obrigar as centrais solares e eólicas a estabilizar ativamente a rede.

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