"Chegou a hora de agir. Uma breve conversa pode iniciar um novo capítulo para você. Entre em contato conosco por meio de uma linha segura".
Em meio à guerra contra a República Islâmica, o Mossad israelense está intensificando seus esforços nas redes sociais para recrutar agentes iranianos.
Enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, continua a convocar os iranianos a "assumirem o controle do próprio destino", uma campanha mais discreta vem se desenrolando online há meses.
Um canal do Mossad, serviço de inteligência de Israel responsável por operações de espionagem no exterior, foi criado discretamente na plataforma Telegram no final de dezembro.
Um link confirmando sua autenticidade aparece no site oficial do Mossad, juntamente com outros que levam a perfis de recrutamento no Instagram, Facebook e LinkedIn em hebraico, inglês e árabe.
- Informações do terreno -
Um canal do Telegram em língua persa foi criado em 24 de dezembro, quatro dias antes de protestos em massa irromperem por todo o Irã.
Uma mensagem fixada dizia: "Bem-vindo! Se você chegou até aqui, provavelmente deseja entrar em contato conosco. Ficamos felizes".
A mensagem é seguida por instruções detalhadas sobre como contatar o Instituto ("Mossad" em hebraico) de forma segura por meio de um agente conversacional ou de seu site.
Em 6 de março, o canal — que atualmente conta com cerca de 48.000 inscritos — publicou uma mensagem incentivando os iranianos a transmitirem informações de dentro do país.
"Continuem enviando informações do terreno. Vocês são testemunhas da verdade. Perseveraremos até a vitória!", afirmava.
Uma nova conta chamada 'Mossad Oficial' também surgiu no Telegram no início de março, após o início dos ataques aéreos israelenses e americanos em 28 de fevereiro. Esta conta também multiplica os apelos, apoiados por vídeos convincentes gerados por inteligência artificial.
Uma das imagens mostra paramilitares da Basij olhando para o céu, visivelmente assustados com um possível ataque, com um texto prometendo que esses milicianos encarregados da ordem pública "não conseguirão se esconder por muito tempo".
Outra mostra um homem tirando discretamente uma foto da janela com seu celular.
- Conta em persa no X -
O Mossad "realiza esse tipo de operação há décadas, utilizando as ferramentas e tecnologias disponíveis", explica Yosi Melman, jornalista israelense especializado em defesa e inteligência.
"Assim como outros serviços de inteligência estrangeiros, a agência financiou publicações e estações de rádio em países inimigos", disse o especialista à AFP. "O Mossad não inventou nada de novo. A CIA faz isso há anos", enfatizou.
Seis meses antes da abertura do canal oficial no Telegram, outra conta, chamada 'Mossad Farsi', surgiu na rede social X. Sua primeira mensagem foi publicada em 25 de junho, logo após a guerra de doze dias entre Israel e Irã. Hoje, conta com mais de 60 mil seguidores.
Suas primeiras publicações foram uma série de vídeos de Menashe Amir, conhecido radialista israelense nascido em Teerã, que passou mais de seis décadas transmitindo em persa para iranianos.
Amir confirmou à AFP que a conta era administrada pela agência de inteligência, embora não conste na lista divulgada na terça-feira pelo Mossad.
- "Make Iran Great Again" -
"A primeira mensagem (vídeo) que postaram comigo teve 2.200.000 visualizações", disse, orgulhoso. A conta não foi autenticada pelas autoridades, mas a imprensa israelense a considera oficial.
'Mossad Farsi' publicou uma série de críticas sarcásticas aos líderes iranianos, além de uma variedade de outros conteúdos. Isso incluía uma oferta de consultas de telemedicina para iranianos, uma sequência enigmática de números, uma enquete perguntando quem deveria liderar o Irã para resolver sua crônica crise hídrica e um vídeo prometendo "Make Iran Great Again (Tornar o Irã Grande Novamente), uma versão adaptada do famoso slogan de Donald Trump, "Make Ameria Great Again" (Tornar os Estados Unidos Grandes Novamente).
O tom tornou-se mais insistente quando protestos em massa irromperam no Irã no final de dezembro de 2025, os quais foram violentamente reprimidos.
"Saiam às ruas juntos. Chegou a hora. Estamos com vocês. Não apenas à distância ou com palavras, estamos com vocês no terreno", dizia uma das mensagens.
Na terça-feira, poucas horas depois de Israel ter matado Ali Larijani, um dos principais líderes do Irã, e o comandante da Basij, a conta comentou laconicamente: "Pessoas cruéis acabam morrendo".
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