O Comitê de Direitos Humanos da Rússia, um órgão do governo, acusou nesta quarta-feira (18) a equipe por trás do documentário vencedor do Oscar "Mr. Nobody Against Putin" de usar imagens de menores sem consentimento. Esta foi a primeira reação oficial ao filme, que denuncia a doutrinação de estudantes na Rússia.
Pavel Talankin, professor e cinegrafista em uma escola na pequena cidade de Karabakh, nos Montes Urais, gravou a intensificação da doutrinação de estudantes após o início da ofensiva russa na Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.
Talankin fugiu do país em 2024 com os vídeos.
As imagens formaram a base deste filme de 90 minutos, codirigido por Talankin e pelo diretor americano David Borenstein, que ganhou o Oscar de Melhor Documentário.
O Conselho Presidencial da Rússia para os Direitos Humanos, um órgão consultivo, afirmou nesta quarta-feira, via Telegram, que enviou uma carta ao comitê organizador do Oscar e ao diretor-geral da Unesco, solicitando à Academia americana que "examine se esta obra está em conformidade com os padrões éticos e legais aplicados pela Academia na concessão de seus prêmios".
Segundo o conselho, "o uso de imagens de menores foi realizado sem o consentimento dos pais ou responsáveis legais das crianças e sem levar em consideração o caráter limitado do uso desse tipo de material, que foi inicialmente gravado em um contexto educacional".
Até o momento, o Kremlin evitou se pronunciar sobre o documentário.
"Não assisti a esse filme", disse o porta-voz de Vladimir Putin, Dmitri Peskov, na segunda-feira.
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