O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy afirmou nesta terça-feira (17) que não cometeu nenhum "ato de corrupção", em sua primeira declaração no julgamento de apelação sobre as acusações de financiamento líbio de sua campanha presidencial de 2007.

O ex-chefe de Estado (2007-2012) tornou-se no ano passado o primeiro ex-mandatário francês a ser preso desde o fim da Segunda Guerra Mundial e o primeiro de um país membro da União Europeia, após sua condenação em primeira instância a cinco anos de prisão por associação criminosa.

Preso em 21 de outubro de 2025 na prisão parisiense de La Santé diante das câmeras do mundo inteiro, Sarkozy obteve sua liberdade sob controle judicial três semanas depois.

Seu processo em apelação, junto com outros nove acusados, ocorrerá até 3 de junho, e alguns meses depois será feita a deliberação do julgamento.

Neste caso político-financeiro com muitas ramificações, iniciado em 2011, o ex-líder da direita francesa é acusado de tentar financiar com fundos secretos da Líbia, pertencentes ao ditador Muammar Kadhafi, sua campanha presidencial vitoriosa de 2007 — algo que ele sempre negou.

Em primeira instância, o tribunal correcional o absolveu de três das quatro infrações pelas quais foi julgado.

Os juízes consideraram que o financiamento líbio da campanha eleitoral de 2007 não ficou comprovado, apesar do envio confirmado de 6,5 milhões de euros (R$ 18,2 milhões na cotação da época) pela Líbia em janeiro e novembro de 2006. Para os magistrados, não foram apresentadas provas de que esses recursos chegaram efetivamente às contas da campanha que levou Sarkozy à presidência.

No entanto, consideraram que o ex-presidente deixou seus colaboradores mais próximos, Claude Guéant e Brice Hortefeux, realizarem as gestões nesse sentido junto ao regime líbio em encontros secretos que eles tiveram na Líbia no fim de 2005 com um aliado de Kadhafi, procurado pela justiça francesa.

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