O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, renunciou nesta terça-feira (17) em protesto contra a guerra contra o Irã, que ele acredita ter sido iniciada por pressão israelense e por uma "campanha de desinformação". 

Joseph Kent, ex-membro das forças especiais, é a primeira autoridade de alto escalão do governo Trump a renunciar devido à sua discordância com a guerra. 

"Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã", afirmou o alto funcionário em sua carta de renúncia ao presidente Donald Trump, que ele compartilhou na rede X. 

"O Irã não representava uma ameaça iminente à nossa nação e é evidente que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby americano", acrescentou a carta. 

"Em seu primeiro mandato, você entendeu melhor do que qualquer presidente recente como aplicar o poder militar sem nos arrastar para guerras intermináveis", afirmou Kent. 

"Até junho de 2025, você entendeu que as guerras no Oriente Médio eram uma armadilha que roubava dos Estados Unidos as preciosas vidas de nossos patriotas", afirmou.

Em junho de 2025, Trump ordenou o bombardeio de instalações nucleares iranianas, uma operação que envolveu Israel e desencadeou uma escalada militar com o Irã que durou doze dias.

Trump afirmou na época que as capacidades nucleares do Irã haviam sido "aniquiladas" e convidou o governo de Teerã a negociar, o que não levou a uma solução pacífica. 

O presidente republicano ordenou uma nova onda de ataques, novamente em coordenação com o governo de Benjamin Netanyahu, em 28 de fevereiro deste ano. A campanha atual provocou ataques de retaliação iranianos contra muitos de seus vizinhos na região e o bloqueio quase total do estratégico Estreito de Ormuz. 

Internamente, a guerra com o Irã causou uma cisão dentro do movimento Maga (Make America Great Again), que levou Trump de volta ao poder nas eleições de 2024.

Alguns políticos e comentaristas conservadores acreditam que Trump violou suas promessas de não abrir novas frentes de guerra. 

"No início deste governo, altos funcionários israelenses e membros influentes da mídia americana lançaram uma campanha de desinformação" para fazer as pessoas acreditarem que "o Irã era uma ameaça iminente", explicou Kent. 

"Isso era mentira, e é a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra contra o Iraque", acrescentou. 

"Não podemos repetir o mesmo erro", afirmou Kent, instando Trump a "refletir sobre o que estamos fazendo no Irã".

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