O caso Master, um escândalo financeiro que abalou a política e a justiça brasileiras, "preocupa" e "não é bom para a reputação" do setor, disse à AFP David Vélez, CEO da gigante "fintech" Nubank.
O caso Master começou em novembro com a liquidação por insolvência do banco, que deixou cerca de R$ 40,6 bilhões em dívidas para aproximadamente 800 mil investidores (reembolsados por um fundo garantidor de créditos).
Logo em seguida, uma investigação apontou vínculos suspeitos entre seu proprietário, o banqueiro Daniel Vorcaro, e autoridades públicas, pouco antes das eleições de outubro.
O caso Master "definitivamente preocupa" e "do ponto de vista da reputação, não é bom para a indústria", disse Vélez, que dirige este banco digital com 131 milhões de clientes na América Latina.
Mas "não gera um risco sistêmico porque é um banco relativamente pequeno", acrescentou o empresário colombiano em entrevista virtual.
A Polícia Federal prendeu Vorcaro em 4 de março, suspeito de orquestrar um esquema de fraude bilionária. Em depoimento anterior à PF, o banqueiro afirmou ter "amigos em todos os poderes".
A ordem de prisão contra Vorcaro, expedida pelo Supremo Tribunal Federal, descreve uma organização criminosa com quatro núcleos: fraude financeira, corrupção de funcionários do Banco Central, lavagem de dinheiro e um braço de intimidação que teria monitorado ilegalmente jornalistas, ex-funcionários e autoridades.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que admitiu ter se reunido com o banqueiro em 2024, prometeu que o caso seria investigado até as "últimas consequências".
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