O governo argentino divulgou neste domingo (8) uma mensagem pelo Dia da Mulher com críticas às políticas de gênero de governos anteriores, classificadas como "uma fraude milionária".
Em publicação nas redes sociais acompanhada de um vídeo de manifestações feministas na Argentina, o governo do presidente ultraliberal Javier Milei defende a decisão tomada ao assumir o cargo, em dezembro de 2023, de extinguir o Ministério da Mulher, por considerá-lo promotor de "agendas ideológicas absurdas".
"Neste 8 de março, comemoramos o Dia da Mulher lembrando que, durante anos, uma causa nobre foi usada para sustentar estruturas políticas milionárias, impor agendas ideológicas absurdas e dividir os argentinos. Esse modelo acabou. Hoje, a Argentina celebra as mulheres que, com liberdade, mérito e esforço, constroem o futuro da pátria", diz a mensagem oficial publicada na rede social X.
Em fevereiro, um relatório do Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (Cedaw) advertiu que, na Argentina, "a dissolução do ministério, em dezembro de 2023, e a reestruturação das instituições de igualdade de oportunidades levaram à fragmentação de responsabilidades, ao enfraquecimento da coordenação interministerial e à redução da capacidade técnica dedicada ao avanço dos direitos das mulheres".
Entre as políticas públicas afetadas, o órgão das Nações Unidas citou o corte de recursos da linha 144, serviço de emergência para vítimas de violência doméstica, em um país onde foram registrados 271 feminicídios em 2025, segundo organizações de defesa dos direitos das mulheres.
O Cedaw também manifestou preocupação com "reduções significativas nos orçamentos para políticas e programas de igualdade de gênero", incluindo iniciativas destinadas a prevenir a violência de gênero e promover a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos.
Segundo o comitê, nos últimos dois anos houve, ainda, um "aumento do discurso público contra as políticas de igualdade de gênero e as defensoras dos direitos humanos das mulheres", incluindo jornalistas que cobrem temas ligados à saúde reprodutiva e à violência de gênero.
Organizações feministas convocaram uma greve de mulheres e mobilizações para esta segunda-feira.
Um relatório do Instituto Nacional de Estatísticas divulgado neste domingo mostra que, na Argentina, as mulheres recebem, em média, um salário 26% menor do que os homens e são responsáveis por oito em cada dez lares monoparentais, que representam 16% dos domicílios com crianças.
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