A Rússia lançou uma série de mísseis e drones contra diversas regiões da Ucrânia na madrugada de sábado (7), bombardeios que mataram 10 pessoas e destruíram um prédio residencial na cidade de Kharkiv.

Os jornalistas da AFP na cidade do leste da Ucrânia, a segunda mais populosa do país antes da guerra, observaram as equipes de resgate procurando vítimas entre os escombros do bloco de apartamentos de estilo soviético destruído. 

As equipes temem a presença de moradores presos sob as ruínas após o ataque com um míssil, que matou oito pessoas, segundo as autoridades locais. 

"Desde a madrugada estão removendo os escombros de um prédio residencial em Kharkiv, após um ataque com míssil balístico russo", afirmou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em uma mensagem nas redes sociais.

O ataque matou uma professora do ensino fundamental e seu filho, informou o prefeito Igor Terekhov. Outra mulher morreu ao lado da filha adolescente, acrescentou o governatne. 

Zelensky afirmou que a Rússia lançou 29 mísseis e 480 drones contra o território ucraniano. Durante a noite, as autoridades acionaram o alerta de ataque aéreo em todo o país. 

Os ataques também atingiram a infraestrutura energética e ferroviária do país, segundo o presidente.

Moscou anunciou um "ataque em larga escala de alta precisão" contra alvos militares na Ucrânia. A Rússia nega sistematicamente atingir infraestruturas civis.

Uma pessoa morreu na região leste de Dnipropetrovsk e um jovem de 24 anos faleceu quando seu carro foi atingido por um drone na região de Sumy, na fronteira com a Rússia, anunciaram as autoridades locais. 

Em Zaporizhzhia (sul), um ataque russo deixou um ferido, um bebê, anunciou no Telegram o chefe da administração regional, Ivan Fedorov.

Três pessoas ficaram feridas em Kiev e duas em Chuhuiv, na região de Kharkiv, segundo autoridades locais.

- Negociações estagnadas -

Durante o ataque noturno russo, a Força Aérea da Polônia informou na rede social X que mobilizou aviões militares para proteger o seu espaço aéreo nas regiões fronteiriças com a Ucrânia, como é habitual em momentos de ofensivas em larga escala. 

O ataque com mísseis e drones aconteceu depois de uma troca de 500 prisioneiros de cada lado entre Moscou e Kiev, baseada em acordos alcançados durante a última rodada de negociações em Genebra.

O diálogo, no entanto, parece estagnado pela falta de avanços significativos e pelo início da guerra no Oriente Médio. 

Segundo a Ucrânia, havia a intenção de organizar uma nova rodada de negociações esta semana em Abu Dhabi, mas a capital dos Emirados Árabes Unidos foi uma das cidades atingidas pelos mísseis e drones iranianos nos últimos dias.

Zelensky sugeriu que o próximo encontro poderia acontecer na Suíça ou na Turquia, países que já receberam etapas anteriores de diálogo.

A guerra no Oriente Médio também pode ter consequências para as capacidades de defesa da Ucrânia, que depende em grande medida do fornecimento de armas dos Estados Unidos.

O comissário da União Europeia para a Defesa, Andrius Kubilius, advertiu na sexta-feira que Washington não terá capacidade de garantir mísseis para o seu próprio Exército, para os aliados no Golfo afetados pelos ataques de Teerã e para a Ucrânia.

"Tornou-se mais urgente para nós, na Europa, aumentar a produção de sistemas de defesa aérea e de mísseis balísticos", insistiu Kubilius.

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