A ONU pediu nesta sexta-feira (6) que a investigação dos Estados Unidos sobre o bombardeio de uma escola em Minab, no Irã, seja "rápida" e conduzida com "total transparência", após o New York Times revelar que o ataque pode ter sido realizado por forças americanas.
Nem Estados Unidos nem Israel admitiram ter cometido o bombardeio. As autoridades iranianas falam em 150 mortos. A AFP não conseguiu acessar o local para verificar de forma independente o número de vítimas ou as circunstâncias do ocorrido.
Segundo o secretário de Estado americano Marco Rubio, o Pentágono conduz uma investigação. "Esperamos que seja rápida e se desenvolva com total transparência", declarou o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, em uma coletiva de imprensa em Genebra.
Segundo autoridades iranianas, a explosão em Minab, no sul do país, ocorreu no primeiro dia da guerra, no sábado passado, e até agora é a que causou mais vítimas no conflito, 150.
A seguir que se sabe até o momento:
- O que pode ser verificado -
Imagens filmadas a partir de um estacionamento mostram fumaça preta saindo de um edifício destruído, decorado com murais que representam lápis de cor, crianças e uma maçã.
A AFP geolocalizou o vídeo: o local corresponde a um edifício em Minab, na província de Hormozgan, que parece ser uma escola, embora não seja possível confirmar sua natureza por fontes independentes.
A AFP determinou que o edifício estava próximo de dois locais controlados pela Guarda Revolucionária, a poderosa guarda ideológica do regime.
A clínica Shahid Absalan, administrada pela Marinha da Guarda Revolucionária, fica a 238 metros do local bombardeado. O complexo cultural Seyed al-Shohada desse corpo militar fica a 286 metros.
A cidade de Minab está situada em um ponto estratégico, perto do estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do comércio mundial de hidrocarbonetos.
A AFP não conseguiu verificar de forma independente a data em que as imagens foram gravadas.
A televisão pública iraniana e um meio de comunicação local identificaram o local como a escola primária feminina Shajare Tayyebeh, em Minab.
- O que diz o Irã -
O Irã afirmou que mais de 150 pessoas morreram no local, no que o presidente Masud Pezeshkian descreveu como um ataque israelense-americano contra uma escola.
Segundo a imprensa estatal, funerais de pelo menos 165 pessoas, incluindo alunas mortas, foram realizados na terça-feira no Irã.
A televisão exibiu imagens que mostravam uma multidão reunida em torno de corpos envoltos em mortalhas brancas.
Outras imagens mostravam caixões adornados com bandeiras iranianas, alguns com a fotografia de uma criança.
Uma terceira sequência exibida pela mídia estatal mostrava uma grande multidão ao redor de caixões idênticos com uma inscrição em persa: "Funeral das crianças mortas em Minab".
A AFP não conseguiu verificar de forma independente a data em que essas imagens foram gravadas nem geolocalizá-las.
- Uma investigação do Pentágono -
O secretário de Defesa americano Pete Hegseth declarou na quarta-feira, em coletiva de imprensa, que o Pentágono estava investigando o episódio e afirmou que as forças americanas "nunca têm civis como alvo".
O secretário de Estado americano Marco Rubio havia anunciado na segunda-feira a abertura dessa investigação pelo Pentágono.
- Pode ter sido um ataque americano? -
O bombardeio de uma escola no sul do Irã no sábado pode ter sido um ataque americano dirigido contra uma base naval da Guarda Revolucionária nas proximidades, segundo uma investigação do jornal New York Times.
Por sua vez, a agência Reuters, citando dois funcionários americanos anônimos, informou na quinta-feira que investigadores militares dos Estados Unidos consideram "provável" que forças americanas tenham sido responsáveis pelo ataque que atingiu a escola, embora tenham acrescentado que as investigações ainda não foram concluídas.
- Israel não está "ciente" -
O Exército israelense declarou no domingo não estar "ciente" de nenhum ataque americano ou israelense contra uma escola.
"Neste momento, não estamos cientes de nenhum ataque israelense ou americano naquele local (...) Operamos com extrema precisão", afirmou o porta-voz militar israelense, tenente-coronel Nadav Shoshani, em coletiva de imprensa ao responder perguntas sobre o ataque.
- Organização de defesa dos direitos humanos -
A organização de defesa dos direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega, anunciou que investigará a identidade dos alunos que teriam morrido nesse bombardeio.
Em comunicado, explicou que no momento do incidente havia aulas matinais na escola Shajare Tayyebeh e que cerca de 170 alunos poderiam estar presentes.
Segundo a ONG, o alvo dos ataques eram as instalações vizinhas da Guarda Revolucionária, afirmação que a AFP não conseguiu verificar.
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