O perímetro da guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã se ampliou consideravelmente nas últimas horas, estendendo-se do Chipre às águas do Sri Lanka, passando pela Turquia e pelo Azerbaijão, o que obriga muitos países a repensar sua postura diante do conflito.

O desenvolvimento mais espetacular ocorreu na quarta-feira (4) com o ataque a uma fragata iraniana por parte de um submarino americano em frente ao Sri Lanka, não muito longe da costa da Índia, causando a morte de dezenas de marinheiros iranianos, um incidente inédito para os Estados Unidos desde 1945.

O ataque ocorreu muito perto da Índia, gigante asiático cuja postura diplomática às vezes é descrita como "multialinhamento", ou seja, mantém relações com vários países, incluindo nações em guerra entre si.

A fragata iraniana retornava de uma série de exercícios com a Marinha da Índia.

Horas depois, a Turquia, país-membro da Otan, anunciou que sistemas de defesa aérea da aliança atlântica haviam derrubado um míssil balístico proveniente do Irã que se dirigia para seu território.

Não está claro se a Turquia foi atacada deliberadamente, mas o ministro turco das Relações Exteriores, Hakan Fidan, declarou ao seu homólogo iraniano durante uma chamada telefônica que "todas as medidas suscetíveis de provocar uma escalada no conflito deveriam ser evitadas".

O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, descartou a ideia de que este incidente pudesse desencadear uma resposta da Otan no âmbito do Artigo 5 da aliança.

Nesta quinta-feira (5), o enclave de Nakhchivan no Azerbaijão foi atingido por dois drones iranianos, um deles em um aeroporto.

Baku prometeu que este ataque não ficaria "sem resposta", embora Israel tenha negado estar por trás deste ataque.

Por sua vez, Chipre -país da UE- viu drones dirigirem-se contra uma base britânica em seu território, e o Líbano foi arrastado para a guerra por ataques do Hezbollah, aliado do Irã contra Israel, que respondeu invadindo o país.

- Escalada horizontal -

A ação do Hezbollah em coordenação com o Irã "sugere uma vontade de ampliar o campo de batalha e aumentar a pressão sobre Israel", estima o centro de pesquisa americano Soufan Center.

Este fenômeno é às vezes chamado de "escalada horizontal" pelos especialistas. A guerra se estende seja pela abertura de novos teatros de operação, seja por novos tipos de ação, como o bloqueio do tráfego marinho no Estreito de Ormuz.

Fala-se em escalada vertical quando o conflito se intensifica mediante o emprego de novos meios.

A maioria destas extensões geográficas da área de conflito foi decidida pelo Irã.

"É curioso que o Irã esteja atacando vários alvos, visando possíveis aliados ou países potencialmente neutros. Talvez o cálculo seja adotar uma estratégia indireta para paralisar a economia mundial e elevar o custo da guerra para os Estados Unidos", questiona uma fonte militar europeia.

Mas esta estratégia corre o risco de atrair novos beligerantes. Vários países da UE (Reino Unido, Grécia, França, Espanha) enviaram meios militares para apoiar o Chipre.

- Mecanismos de alianças -

Este é o risco que todos querem evitar: serem arrastados para a guerra. "Podem haver mecanismos de alianças que façam novos países entrarem na guerra por efeito dominó", segundo uma fonte militar europeia, "um pouco como ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial".

Entre as possíveis ampliações geográficas está o Iêmen e os huthis, que poderiam entrar na guerra tentando, por exemplo, dificultar a navegação no Estreito de Bab al-Mandeb ou atacando outros países.

"Por enquanto não há expansão no setor, é algo que precisa ser monitorado", estima a fonte militar europeia.

"Os próximos dias indicarão se os huthis permanecerão fiéis à sua ideologia ou se recolherão sobre si mesmos", estima Ibrahim Jalal, do Stimson Center.

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