O número dois do Vaticano afirmou nesta quarta-feira (4) que as "guerras preventivas", termo utilizado pelos Estados Unidos para justificar o ataque ao Irã, correm o risco de "incendiar o mundo inteiro". 

"Se fosse reconhecido aos Estados o direito a uma 'guerra preventiva' segundo seus próprios critérios e sem um marco jurídico supranacional, o mundo inteiro correria o risco de incendiar-se", declarou o cardeal italiano Pietro Parolin ao Vatican News, o meio de comunicação oficial do Vaticano. 

"Essa deterioração do direito internacional é profundamente preocupante: a justiça foi substituída pela força, a força do direito pela lei do mais forte, com a convicção de que a paz só pode ser alcançada após a aniquilação do inimigo", prosseguiu o cardeal, sem mencionar em nenhum momento os Estados Unidos. 

Parolin também falou das manifestações antigovernamentais reprimidas no Irã. 

"As aspirações dos povos devem ser consideradas e garantidas no marco jurídico de uma sociedade que assegure a todos a liberdade de expressão e o direito à liberdade de manifestação pública, o que também se aplica ao querido povo iraniano", disse. 

"Ao mesmo tempo, cabe perguntar se realmente acreditamos que a solução pode vir do lançamento de mísseis e bombas", acrescentou. 

No início do ano, o papa Leão XIV já havia denunciado que "a guerra voltou a estar na moda". 

"Já não se busca a paz como um dom e um bem desejável em si mesmo (...), mas se busca pela via das armas", denunciou o papa americano, sem citar nenhum país.

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