Milhares de pessoas lotaram nesta terça-feira (3) os bancos na Bolívia angustiadas para trocar suas cédulas legais, que nas ruas são confundidas com dinheiro roubado de um avião militar que sofreu um acidente e deixou 24 mortos, constatou a AFP.

Uma aeronave Hércules C-130 da Força Aérea caiu na sexta-feira no aeroporto de El Alto, quando transportava mais de 17,1 milhões de cédulas em moeda nacional, de diferentes denominações, propriedade do Banco Central da Bolívia (BCB).

O banco emissor precisou que o montante somava 423 milhões de bolivianos, equivalentes a 320 milhões de reais. Uma multidão se lançou sobre os destroços da fuselagem e roubou pelo menos 30%, segundo o governo.

O BCB comunicou a anulação de todas as cédulas que eram transportadas no voo, pertencentes a uma numeração que contém a letra B.

No entanto, nas ruas também circulam cédulas de lotes antigos com a mesma sigla que não estiveram envolvidas no acidente. Estas, embora não tenham sido anuladas, deixaram de ser aceitas em comércios e mercados por suspeitas de que não tenham valor.

Nesta terça-feira, milhares de cidadãos formaram longas filas nos arredores do BCB e de instituições bancárias de La Paz e da vizinha El Alto para trocar seu dinheiro.

"Um vendedor de pão não quis receber" uma cédula, diz à AFP Serapio Mayta, aposentado de 77 anos, que espera sua vez há duas horas. "Não querem receber" os comerciantes, "é um grande problema", acrescenta.

A poucos metros está Blanca Molina, dona de casa de 78 anos. "Tenho mais dinheirinho guardado (em espécie). E agora o que vou fazer?", pergunta.

O presidente do Banco Central, David Espinoza, pediu nesta terça-feira, em coletiva de imprensa, compreensão à população e que aceite o dinheiro com numeração válida.

O BCB disponibilizou em seu portal oficial um buscador para que os bolivianos possam digitar o número de cada cédula e verificar sua validade.

Ainda não há uma versão oficial sobre as causas do acidente aéreo. O piloto sobrevivente Erick Rojas declarou perante uma junta investigadora, segundo seu advogado, que havia gelo na pista de pouso e que os freios da aeronave falharam.

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