O líder da esquerda radical na França, Jean-Luc Mélenchon, enfrenta novas acusações de antissemitismo após zombar da pronúncia do sobrenome do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein durante um comício político. 

Mélenchon, de 74 anos, é frequentemente acusado de antissemitismo, principalmente desde o ataque de 2023 do movimento islamista palestino Hamas em solo israelense, acusações que o líder do partido A França Insubmissa (LFI) nega. 

A mais recente controvérsia surgiu na noite de quinta-feira em Lyon, quando ele ironizou dizendo que, na França, a pronúncia do sobrenome de Epstein como "Epstin" se tornou a norma, em vez de "Esptein". 

"Eu quis dizer 'Epstin', desculpem. 'Epstin' soa mais russo", disse ele. "Agora vocês vão dizer 'Epstin' em vez de 'Epstein', Frankestin em vez de Frankenstein", afirmou, entre risos, à multidão presente no comício para as eleições municipais. 

Um estudante do ensino médio "sabe que, em inglês, 'Epstein' se pronuncia 'Epstin'. Os jornalistas só pronunciam um sobrenome americano (...) Considerar essa pronúncia como manipulação é delírio conspiratório", afirmou Yonathan Arfi, presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas na França. 

Os comentários provocaram indignação no restante da classe política, que interpretou as palavras como tendo "conotações antissemitas", nas palavras do líder da extrema direita Jordan Bardella.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, denunciou as "palavras abjetas", que também foram condenadas pelos antigos aliados da LFI na coalizão de esquerda Nova Frente Popular.

"Antifascista é quem luta contra o fascismo, não quem reutiliza as suas táticas mais perigosas", escreveu o líder socialista Olivier Faure na rede social X. 

Em resposta às reações, Mélenchon negou qualquer tipo de antissemitismo e explicou que estava sendo irônico "com o desejo de transformar 'Epstein' em um sobrenome para 'russificar' a questão". 

"Os membros da LFI foram os primeiros a denunciar a instrumentalização antissemita do caso Epstein", acrescentou o seu braço direito, Manuel Bompard, que denunciou "uma conspiração" contra o movimento radical de esquerda.

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