O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condecorou, na noite dessa terça-feira (24/2),  o subtenente do Exército Eric Slover por sua atuação na operação militar realizada em janeiro, na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. Ele recebeu a Medalha de Honra, considerada a maior honraria militar norte-americana. Ele foi baleado quatro vezes durante a operação.

A condecoração foi colocada no pescoço de Slover pelo tenente-general Jonathan Braga, comandante do Comando Conjunto de Operações Especiais, na galeria da Câmara dos Representantes, sob aplausos dos parlamentares. Trump informou que uma cerimônia adicional será realizada na Casa Branca.

Segundo o presidente, Slover, que compareceu ao Capitólio utilizando um andador, liderou o voo do primeiro helicóptero CH-47 Chinook que pousou no que descreveu como uma “fortaleza militar fortemente protegida” em Caracas, onde Maduro estava localizado. De acordo com o relato presidencial, enquanto se preparava para pousar, o helicóptero foi alvo de intenso fogo inimigo.

“Metralhadoras dispararam de todos os ângulos, e Eric foi atingido gravemente na perna e no quadril — uma bala após a outra”, afirmou Trump. O presidente disse que o militar foi atingido quatro vezes, sofrendo ferimentos graves, mas manteve o controle da aeronave para garantir o desembarque das forças especiais na zona de lançamento.

A operação, realizada na madrugada de 2 de janeiro, foi precedida por meses de planejamento sigiloso e incluiu um breve corte de energia na capital venezuelana, segundo autoridades americanas. Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram detidos e levados aos Estados Unidos para responder a acusações federais relacionadas a narcotráfico e narcoterrorismo, baseadas em denúncia apresentada pelo Departamento de Justiça em 2020.

Trump ressaltou que, mesmo ferido e sangrando, Slover manobrou o helicóptero para permitir que os artilheiros “neutralizassem as ameaças em solo e evitassem um possível acidente em território inimigo”. “O sucesso de toda a missão e a vida de seus companheiros dependiam da capacidade de Eric de suportar uma dor lancinante”, declarou.

Outros militares envolvidos na ação também receberão medalhas em uma cerimônia privada na Casa Branca.

No mesmo discurso, Trump anunciou a Medalha de Honra para o capitão da Marinha aposentado E. Royce Williams, hoje com 100 anos, por sua atuação na Guerra da Coreia, que aconteceu entre 1950 e 1953. Segundo o presidente, em 1952, Williams participou de um combate aéreo descrito como “lendário”, enfrentando sete caças soviéticos durante uma missão sob nevasca. Mesmo em desvantagem numérica e de armamento, ele liderou a derrubada de quatro aeronaves inimigas, mesmo estando gravemente ferido e em um avião atingido 263 vezes.

Por mais de cinco décadas, a missão permaneceu sob sigilo. Williams já havia recebido a Cruz da Marinha, mas agora foi agraciado com a mais alta condecoração militar do país. A medalha foi colocada no pescoço pela primeira-dama, Melania Trump.

A Medalha de Honra é a mais alta condecoração militar dos Estados Unidos, concedida a integrantes das Forças Armadas que demonstram bravura excepcional além do dever.

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Criada durante a Guerra Civil, a honraria é entregue em nome do Congresso e geralmente concedida pelo presidente após rigoroso processo de avaliação. Existem três versões da medalha — para Exército, Marinha (incluindo Fuzileiros Navais e Guarda Costeira) e Força Aérea e Espacial — cada uma com design próprio. Menos de 4 mil Medalhas de Honra foram concedidas ao longo da história dos Estados Unidos, sendo uma das distinções mais raras e reverenciadas do país. 

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