Pelo menos 20 pessoas morreram, dezenas estão desaparecidas e mais de 400 foram obrigadas a deixar suas casas devido às fortes chuvas em Minas Gerais, informaram os bombeiros nesta terça-feira (24).

Até o momento, foram registradas 16 mortes no município de Juiz de Fora e 4 em Ubá, segundo o último balanço oficial. 

O temporal provocou a cheia de um rio, causando enchentes, desabamentos de prédios e deslizamentos de terra. 

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais também está buscando "dezenas" de pessoas desaparecidas, confirmou um porta-voz à AFP. 

A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), decretou estado de calamidade pública devido à "gravíssima situação" causada pelas chuvas intensas e persistentes. 

De acordo com Salomão, este foi o fevereiro mais chuvoso da história deste município de cerca de 540 mil habitantes, com 584 milímetros de água acumulada: o dobro do que era esperado para todo o mês.

- Situação "extrema" -

A tempestade começou na tarde de segunda-feira em uma região de vale próxima à divisa com o estado do Rio de Janeiro. 

"Bairros estão ilhados" e a situação é "extrema", afirmou Salomão em uma mensagem de vídeo, na qual detalhou pelo menos 20 deslizamentos de terra foram registrados. 

"A Defesa Civil estima que 440 pessoas" foram afetadas e estão recebendo apoio da Prefeitura para abrigo 

e acomodação temporários, acrescentou a Prefeitura em comunicado. 

O Corpo de Bombeiros foi acionado para atender a "inundações, soterramentos, risco estrutural em encostas e áreas próximas ao rio" Paraibuna, que transbordou, informou o tenente Henrique Barcellos, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

Segundo ele, as ações estão concentradas na localização das vítimas e na remoção dos moradores das áreas de risco. 

Imagens que circulam nas redes sociais mostram equipes de resgate trabalhando com escavadeiras em áreas soterradas pela lama, com casas completamente destruídas. 

Alguns moradores registraram prédios desabando em segundos devido aos danos estruturais sofridos. 

As imagens também mostram ruas e avenidas alagadas, com a água subindo com força a grandes alturas, enquanto bombeiros usam equipamentos especializados para retirar pessoas em risco de afogamento. 

As autoridades suspenderam as aulas em todas as escolas municipais.

O Brasil sofreu diversas tragédias nos últimos anos ligadas a eventos climáticos extremos, desde enchentes e secas até ondas de calor intensas. 

Em 2024, enchentes sem precedentes atingiram o sul, deixando mais de 200 mortos e 2 milhões de pessoas afetadas, em um dos piores desastres naturais da história do país. 

Em 2022, outra forte tempestade deixou 241 mortos na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. 

Especialistas atribuem a maioria desses eventos aos efeitos da mudança climática. 

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