As mulheres ucranianas que fugiram da guerra em seu país sofrem um nível elevado de violência física, sexual e psicológica nos países da União Europeia (UE) onde encontraram refúgio, afirmou nesta terça-feira (24) a Agência dos Direitos Fundamentais da UE.

Quase 2,5 milhões de mulheres e meninas fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa há quatro anos e receberam proteção temporária nos países membros da UE.

Contudo, "apesar das proteções oferecidas pela UE, muitas mulheres sofrem graves violações de seus direitos, outras não se sentem seguras", afirmou a diretora da Agência, Sirpa Rautio.

"Os Estados membros da UE devem zelar para que as mulheres recebam proteção, apoio e justiça pelo que suportaram, para que possam reconstruir sua vida", acrescentou. 

Uma refugiada ucraniana em cada quatro viveu um episódio de violência física ou sexual desde o início da guerra e os números revelam que elas correm mais riscos do que a população em geral, segundo os dados da agência.

O relatório mostra que 62% das refugiadas sofreram violência em um dos 27 países da UE onde vivem atualmente, e 9% durante a fuga. 

Entre as mulheres, 39% sofreram violências na Ucrânia, em muitos casos cometidas pelas forças russas. 

O relatório é baseado em uma pesquisa realizada em 2024 com mais de 1.200 ucranianas que fugiram da guerra e vivem na República Tcheca, na Alemanha e na Polônia, além de entrevistas com 30 mulheres que residem nestes países e sofreram violências.

Quase 20% das ucranianas foram confrontadas com "ofertas de transporte, moradia ou emprego potencialmente abusivas".

E quase um terço não tem acesso a serviços de saúde mental para superar o trauma da guerra, destacou a agência.

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