Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversa com a Rússia sobre o conflito na Ucrânia, ele pode ser tanto um "traidor" quanto um líder "excepcional", declarou nesta segunda-feira (23) o prêmio Nobel da Paz Lech Walesa à AFP.

"Hoje ele parece ser o lacaio da Rússia, simplesmente um traidor. É uma forma de ver", disse o cofundador do sindicato Solidarnosc (Solidariedade) e ex-presidente polonês, de 82 anos, na véspera do 4º aniversário da invasão russa da Ucrânia.

E, no entanto, o presidente dos Estados Unidos talvez seja "um líder político extremamente inteligente" que "sabe que, se os Estados Unidos se unissem ao coro anti-Putin, [o presidente russo, Vladimir] Putin não teria outra opção e teria de usar a arma atômica".

Por quê? "Porque Putin é irresponsável", sustenta. "É um jogo muito habilidoso, muito inteligente. Não empurrar Putin a usar a arma nuclear, fingir ser amigo."

Dessa maneira, Donald Trump ganha tempo e obriga "a Europa a se organizar contra Putin, sem os Estados Unidos", apontou o ex-presidente polonês. "Porque, se os Estados Unidos entrarem no jogo, é guerra nuclear", analisou Walesa, cuja luta pela democratização da Polônia contribuiu para a queda da Cortina de Ferro.

"Então há duas formas de ver", resumiu Lech Walesa: "traidor ou homem extremamente inteligente".

"Hoje em dia, ainda não sei qual se aplica a Trump", reconheceu.

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