Um tribunal de Madri anulou a decisão de julgar a esposa do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, por peculato, ao considerar que esta decisão foi tomada de forma "prematura", embora a investigação permaneça aberta.

A decisão do juiz de instrução da causa é "prematura e desprovida de fundamentação do ponto de vista factual, normativo e processual", indicou a Audiência Provincial de Madri ao responder a um recurso de Begoña Gómez, investigada por peculato, tráfico de influência e corrupção, em uma decisão tornada pública nesta segunda-feira (23).

"Não é aceitável afirmar, após um ano e meio de instrução", que "basta a mera verossimilhança" dos fatos investigados, prosseguiu a decisão, que sustenta que "de alguma forma" se pode, por agora, "falar de indícios racionais de criminalidade que justifiquem" um julgamento perante um juri popular, tal como tinha determinado o juiz de instrução Juan Carlos Peinado.

Por isso, o tribunal devolve o processo "à fase de diligências prévias".

Agora, o juiz Peinado terá que decidir se emite uma nova decisão de acusação contra a esposa de Sánchez com outros argumentos.

Este juiz investiga, desde abril de 2024, Begoña Gómez, que sempre negou qualquer irregularidade.

O magistrado investiga se Gómez, que dirigiu, até o início do ano letivo de 2024, um mestrado em gestão na Universidade Complutense de Madri, se beneficiou da posição de seu marido para obter financiamento.

Ao longo das instruções, Peinado foi ampliando a lista de crimes que suspeita que Gómez tenha cometido.

Da mesma forma, também investiga a assistente de Gómez, contratada para apoiá-la em suas atividades como esposa do presidente do governo, mas que o juiz presume que também a ajudou nas suas atividades profissionais externas.

Este amplo caso opõe, há meses, Peinado e o Ministério Público, que chegou a pedir seu arquivamento, e gerou irritação em Sánchez, que manteve o país em suspense durante vários dias ao ponderar se renunciava, o que não fez.

O dirigente socialista denuncia uma campanha de difamação orquestrada pela extrema direita e pela oposição de direita.

O caso de sua esposa é um dos processos judiciais que cercam Sánchez, a quem a direita pede quase diariamente que renuncie.

O irmão de Sánchez será julgado em maio por tráfico de influências e o procurador-geral do Estado, proposto pelo Governo, foi condenado em novembro por violar segredo de justiça.

Dois antigos colaboradores próximos, seu ex-número três Santos Cerdán e seu ex-ministro de Transportes José Luis Ábalos, são investigados em um caso de suborno em troca de obras públicas.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

mig-du/al/mb/rm/jc

compartilhe