O governo da Venezuela informou, nesta segunda-feira (23), o início da reforma da temida prisão Helicoide, considerada um local de torturas, para transformá-la em um centro social após a presidente interina, Delcy Rodríguez, ordenar seu fechamento.
Rodríguez assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em uma incursão americana em 3 de janeiro. Quase um mês depois, ordenou o fechamento do Helicoide, sede do serviço de inteligência (Sebin), que ainda funciona como centro de detenção.
A oposição e ativistas de direitos humanos denunciam essa prisão como um símbolo de tortura na Venezuela.
"Imediatamente começou a elaboração do projeto. Consultamos a comunidade, a família policial, fizemos o levantamento arquitetônico e de engenharia, e hoje podemos dizer que, em menos de um mês, ele já foi aprovado e começa sua fase de execução", disse o ministro de Obras Públicas, Juan José Ramírez, em um vídeo divulgado na rede social X.
O Ministério de Obras Públicas "adianta os trabalhos de recuperação da infraestrutura do Helicoide", informou na mesma rede social o ministro de Comunicações, Miguel Pérez Pirela.
Rodríguez ordenou no fim de janeiro convertê-lo "em um centro social, esportivo, cultural e comercial para a família policial e para as comunidades vizinhas".
A presidente interina conduz uma agenda de reformas legislativas sob forte pressão dos Estados Unidos.
Ela impulsionou uma histórica lei de anistia aprovada na quinta-feira, que abrange fatos específicos ao longo de 27 anos do chavismo no poder.
O instrumento se insere no que Rodríguez definiu como o passo rumo a "uma Venezuela mais democrática, mais justa, mais livre".
Gonzalo Himiob, um dos diretores da ONG Foro Penal, informou no X que os anistiados somam 65 desde a entrada em vigor da lei até esta segunda-feira: sete na sexta-feira, 15 no sábado e 43 no domingo.
"Seguimos verificando outros casos", apontou Himiob.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou no sábado que 1.500 pessoas solicitaram nos tribunais o benefício da anistia.
Especialistas, no entanto, duvidam do alcance da lei. Centenas de detidos, como militares acusados de atividades "terroristas", podem ficar de fora.
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