O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (22) que seu país responderá a qualquer agressão dos Estados Unidos, mas expressou esperança em uma solução diplomática e disse que espera um novo ciclo de conversas sobre o programa nuclear na quinta-feira, em Genebra.
Os dois países mantêm desde o início de fevereiro dois ciclos de diálogo com mediação de Omã, centrados principalmente no programa nuclear, negociações que ocorrem sob a ameaça de um desdobramento militar dos Estados Unidos no Oriente Médio.
As advertências dos Estados Unidos nas últimas semanas começaram em resposta à repressão mortal aos protestos antigovernamentais no Irã, que segundo organizações de direitos humanos deixou milhares de mortos.
Mas essas ameaças também buscam pressionar Teerã a chegar a um acordo sobre o programa nuclear.
Araghchi advertiu que, se seu país for agredido, tem o direito legítimo de se defender.
"Se os Estados Unidos nos atacarem, então temos todo o direito de nos defender. Se os Estados Unidos nos atacarem, é um ato de agressão. O que fizermos será um ato de autodefesa", indicou o chanceler.
"É justificado, é legítimo. Nossos mísseis não podem atingir território americano. Então, obviamente, teremos que fazer outra coisa. Teremos que atacar, vocês sabem, bases americanas na região", acrescentou.
Araghchi disse que representantes de seu país e dos Estados Unidos estão trabalhando nos elementos de um acordo que pode ser discutido esta semana.
"Acho que ainda há boas possibilidades de alcançar uma solução diplomática baseada em um jogo em que todos saiam ganhando", declarou o chanceler iraniano à emissora americana CBS, acrescentando que os negociadores estão trabalhando "nos elementos de um acordo e no rascunho do texto".
- Omã confirma diálogo -
"Acho que quando nos reunirmos, provavelmente nesta quinta-feira em Genebra novamente, poderemos trabalhar com esses elementos, preparar um bom texto e chegar a um acordo rápido", declarou o ministro.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al Busaidi, confirmou neste domingo a retomada das negociações e afirmou que há "um impulso positivo para chegar a um acordo".
O enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, declarou no sábado à emissora Fox News que o presidente republicano se pergunta por que o Irã não cedeu à pressão dos Estados Unidos.
"Ele está curioso para saber por que não o fizeram (...) Não quero usar a palavra capitular, mas por que não capitularam", disse.
"Por que, sob toda essa pressão, com a magnitude de forças marítimas e navais, por que não vêm e nos dizem: 'declaramos que não queremos uma arma e isto é o que estamos dispostos a fazer'", afirmou.
Os países ocidentais acusam o Irã de querer se dotar de uma bomba atômica, uma afirmação que Teerã nega, pois afirma que seu programa nuclear tem caráter civil, mas insiste em seu direito de enriquecer urânio.
Araghchi reiterou essa condição neste domingo e afirmou: "Como país soberano, temos todo o direito de decidir por nós mesmos e por conta própria".
- Medo de uma guerra -
Após o último ciclo de negociações em Genebra, o Irã afirmou que está preparando uma proposta de acordo para as negociações, que pode estar pronta em poucos dias.
Um ciclo anterior de conversas foi frustrado quando Israel lançou uma campanha de bombardeios sem precedentes contra a república islâmica e iniciou uma guerra de 12 dias da qual os Estados Unidos participaram bombardeando instalações nucleares do Irã.
As recentes conversas não dissiparam os temores no Irã de um novo conflito.
Hamid, um morador de Teerã, afirma que não dorme à noite, "nem mesmo tomando comprimidos".
Mina Ahmadvand, técnica de informática de 46 anos, pensa que "a guerra entre Irã e Estados Unidos, assim como com Israel, é inevitável".
"Não quero que haja uma guerra, mas não se deve se enganar sobre a realidade no terreno."
Paralelamente, vários países advertiram seus cidadãos a evacuarem o Irã enquanto houver voos comerciais disponíveis.
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