Diante de grandes retratos de Quentin Deranque, mais de 3 mil pessoas desfilaram neste sábado (21) em Lyon, no centro-leste da França, para pedir "justiça" para o jovem militante da extrema direita radical espancado até a morte por membros da extrema esquerda.
A manifestação ocorreu sob forte vigilância policial, por temor de confrontos.
Na multidão, não havia bandeiras de organizações nem siglas, mas sim discretos símbolos da extrema direita e, sobretudo, discursos muito políticos contra "o esquerdismo" ou "a violência antifascista".
Deranque morreu em consequência de uma agressão sofrida em 12 de fevereiro, à margem de uma conferência da eurodeputada da esquerda radical Rima Hassan em Lyon, para onde ele havia viajado a fim de cuidar da segurança de um coletivo, Némesis.
À frente da manifestação estavam mulheres do Némesis com rosas brancas.
Em alguns cartazes lia-se "a extrema esquerda mata", mas, em geral, a marcha avançou de forma pacífica.
Segundo a prefeitura da região do Ródano, a manifestação reuniu 3.200 pessoas (3.500 segundo os organizadores).
A presidente do Némesis, Alice Cordier, estava presente, assim como outros militantes identitários. Um deles, Raphaël Ayma, criticou "o sistema que matou Quentin".
No fim da tarde, a marcha chegou à rua onde Deranque foi agredido. Ali foi estendida uma grande faixa preta com um símbolo cristão antes de a multidão se dispersar.
Segundo a prefeitura, apenas uma pessoa foi detida, por "porte de armas" (uma faca e um martelo).
Na manhã deste sábado, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu "a todos calma" e anunciou uma reunião do governo na próxima semana para "fazer um balanço completo sobre os grupos de ação violenta que operam e têm vínculos com partidos políticos, quaisquer que sejam".
Ele quer "ocultar sua responsabilidade moral (...) na explosão da violência de extrema esquerda", reagiu o presidente do antigo Frente Nacional (FN), rebatizado Reagrupamento Nacional (RN, extrema direita), Jordan Bardella, que recomendou a seus apoiadores que não participassem da marcha para não correr o risco de "associar" seu partido à extrema direita.
Seis homens suspeitos de terem agredido Quentin Deranque foram acusados de "homicídio voluntário", e um assessor do deputado do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), Raphaël Arnault, de "cumplicidade".
Eles são membros ou estão vinculados à Jovem Guarda Antifascista, fundada em 2018, especialmente por Arnault, e dissolvida em junho por atos violentos recorrentes.
A LFI se recusa a pedir que seu deputado abandone o grupo na Assembleia Nacional. A direita e a extrema direita exigem sua renúncia.
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