Os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos receberam com interesse, mas com cautela, o importante revés judicial infligido nesta sexta-feira (20) à política tarifária do presidente Donald Trump, que foi considerada em grande parte ilegal.
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira que Trump excedeu sua autoridade ao impor uma série de tarifas alfandegárias que desorganizaram o comércio mundial. A decisão se refere às tarifas apresentadas como "recíprocas" por Trump, mas não às aplicadas a setores específicos de atividade.
Estas são as primeiras reações internacionais:
- União Europeia -
"Tomamos nota da decisão e a estamos analisando atentamente", declarou à AFP Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia.
Ele acrescentou que espera "esclarecimentos" do governo americano "sobre as medidas que pretende tomar em resposta a essa decisão".
A decisão da Suprema Corte pode frear a implementação de um acordo comercial concluído em meados do ano passado entre a UE e Washington, que permitiu limitar a 15% as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos à maioria dos produtos europeus.
- Reino Unido -
"Trabalharemos com a administração americana para entender como essa decisão afetará as tarifas para o Reino Unido e o restante do mundo", indicou um porta-voz do governo britânico em um comunicado.
"O Reino Unido se beneficia das tarifas recíprocas mais baixas do mundo e, seja qual for o cenário, esperamos que nossa posição comercial privilegiada com os Estados Unidos seja mantida", acrescentou.
Um acordo com Washington permite a Londres se beneficiar de taxas tarifárias limitadas a 10% sobre a maioria dos produtos britânicos.
- Canadá -
A decisão da Suprema Corte "reforça a posição do Canadá", segundo a qual essas tarifas são "injustificadas", estimou Dominic LeBlanc, ministro canadense encarregado da relação comercial com os Estados Unidos, em uma mensagem no X nesta sexta-feira.
Ele lembrou que Ottawa está atualmente dialogando com Washington, já que empresas canadenses são afetadas pelas tarifas setoriais, que impactam a economia.
As chamadas tarifas "recíprocas" na realidade quase não afetam o Canadá em virtude do T-MEC, o tratado de livre comércio existente entre México, Estados Unidos e Canadá, um acordo que o governo Trump pretende revisar completamente nos próximos meses.
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