A Venezuela iniciou um plano-piloto de venda de gasolina de maior qualidade, que é oferecida ao dobro do preço da convencional, informaram nesta quarta-feira(18) fontes do setor e trabalhadores de postos de combustível. 

A petroleira estatal PDVSA ainda não anunciou o programa oficialmente, embora o combustível "superpremium" já esteja sendo oferecido, inicialmente, em oito postos de Caracas. 

O programa coincide com a abertura petrolífera após a incursão americana e a queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro. 

A gasolina na Venezuela chegou a ser a mais barata do mundo. O abastecimento passou por várias crises de escassez e, há anos, apenas um tipo de octanagem é oferecido. 

Maduro fixou em 2020 os preços atuais: no mercado privado custa 50 centavos de dólar por litro (2,61 reais) e a subsidiada é praticamente de graça em poucos postos. A "superpremium" é vendida agora a 1 dólar o litro (5,22 reais, na cotação atual). 

Começou na terça-feira "à tarde um plano-piloto em oito postos em Caracas", disse à AFP, sob anonimato, um funcionário desses estabelecimentos no bairro comercial de Chacao, onde não havia fila para abastecer. 

O supervisor de um posto em outro bairro popular também confirmou a venda. 

O aumento do preço da gasolina sempre foi um tema sensível na Venezuela, após a explosão social de Caracazo, em 1989, uma revolta contra um ajuste de preços com um balanço oficial de 300 mortos. 

Maduro autorizou em 2016 o primeiro aumento em duas décadas, que evaporou com a inflação. Depois veio o reajuste atual, de 2020, que coincidiu com a dolarização informal do país. 

A "superpremium" só é paga em dólares em espécie. O fraco bolívar local não é aceito. 

Uma fonte explicou à AFP que esse piloto estava nos planos há cerca de dois anos. O principal impedimento era a importação de um componente para a produção dessa gasolina. 

O petróleo venezuelano está submetido a sanções dos Estados Unidos desde 2019, mas o embargo foi flexibilizado após a incursão de janeiro. 

O presidente Donald Trump afirmou que controla a venda de petróleo venezuelano e incentiva investimentos de petroleiras americanas no país. 

A presidente interina Delcy Rodríguez, vice-presidente de Maduro, promove uma agenda petrolífera distante da estatização tradicional do chavismo, que incluiu uma reforma da Lei de Hidrocarbonetos para atrair capitais privados.

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