Especialistas em anfíbios sul-americanos afirmaram nesta segunda-feira (16) que a toxina atribuída à morte do dissidente russo Alexei Navalny provavelmente foi uma réplica produzida em laboratório e não extraída diretamente da natureza.

Segundo uma investigação divulgada no sábado por vários países europeus, Navalny, feroz opositor do presidente Vladimir Putin, foi "envenenado" com uma "toxina rara", a epibatidina, presente na pele das rãs-dardo do Equador.

Cientistas consultados pela AFP assinalaram que a epibatidina é secretada pela espécie Epipedobates anthonyi, conhecida como rã-dardo. No entanto, destacaram que essas rãs produzem pequenas quantidades incapazes de causar a morte de um ser humano.

Eles indicaram que é mais provável que a toxina seja uma cópia sintética e não a substância original.

"É mais fácil comprá-la ou obtê-la de laboratórios que a produzem", disse Andrea Terán, do Centro de Pesquisa Jambatu, no Equador.

A bióloga acrescentou que não conhece casos em que a epibatidina seja utilizada para "envenenar pessoas". 'Ela é usada para pesquisas", afirmou.

As rãs são relativamente fáceis de conseguir, tanto legalmente com permissões quanto ilegalmente por poucos dólares.

Nos últimos dez anos, mais de 800 exemplares da espécie suspeita — Epipedobates anthonyi — foram exportados legalmente do Equador, segundo dados de autorizações da CITES.

Também é legal a venda de rãs venenosas na vizinha Colômbia, onde o centro de conservação Tesoros de Colombia possui autorizações de comercialização para o mercado de animais de estimação e para fins científicos e farmacêuticos.

Iván Lozano, zootecnista que dirige esse centro, afirmou que seria necessária uma "enorme quantidade de rãs", que medem entre dois e três centímetros, para causar a morte de uma pessoa com epibatidina.

É "impossível conseguir" essa quantidade para produzir um veneno letal em humanos, pois em seu ambiente natural elas mal conseguem causar a morte de um predador como um rato, indicou.

Apenas "uma versão sintética" de laboratório poderia matar uma pessoa, acrescentou.

Navalny, um ativista anticorrupção que se opôs durante anos a Putin e à ofensiva contra a Ucrânia lançada em 2022, morreu na prisão em 16 de fevereiro de 2024, aos 47 anos.

Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Países Baixos acusaram Moscou de tê-lo "envenenado", segundo as conclusões de uma investigação publicadas no sábado.

O porta-voz do Kremlin classificou nesta segunda-feira as acusações como "tendenciosas e infundadas".

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