A França concedeu asilo a um casal de ativistas russos contrários ao Kremlin que estava detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) nos Estados Unidos e temia ser deportado, mas nesta segunda-feira (16) apenas um deles desembarcou em Paris.

Alexei Ichimov, de 31 anos, chegou a Paris nesta segunda-feira procedente de Seattle, constataram jornalistas da AFP, depois que as autoridades francesas lhe emitiram documentos humanitários para evitar sua deportação para a Rússia.

Sua companheira, Nadezhda, de 29 anos, ex-voluntária do falecido opositor russo Alexei Navalny, deveria chegar em um voo procedente de Miami, também nesta segunda-feira.

Olga Prokopieva, diretora da associação Russie-Libertés, com sede em Paris, que presta assistência ao casal, afirmou que Nadezhda teve o embarque negado por não possuir passaporte, mas apenas um documento de viagem provisório denominado "laissez-passer".

"Estou em estado de choque", declarou à AFP no aeroporto Alexei, visivelmente angustiado. O casal fugiu da Rússia em 2022, quando o Kremlin intensificou a repressão contra opositores após a invasão da Ucrânia.

Eles conseguiram chegar ao México e entraram nos Estados Unidos em 2024. Foram detidos pelo ICE, separados e enviados a diferentes centros de detenção.

Alexei passou nove meses na Califórnia e depois foi transferido para o estado de Washington. Em janeiro de 2025, foi libertado com tornozeleira eletrônica.

Nadezhda permaneceu detida em um centro do ICE no sul da Louisiana por 21 meses. Para evitar ser deportado para a Rússia, Alexei entrou em contato com vários países. Dezenas de milhares de russos solicitaram asilo nos Estados Unidos desde a invasão russa da Ucrânia em 2022.

Muitos detidos denunciam prisões arbitrárias e afirmam que não tiveram uma oportunidade justa de se defender perante a Justiça. Estima-se que cerca de mil russos, muitos deles solicitantes de asilo, tenham sido deportados para a Rússia dos Estados Unidos desde 2022. Alguns deportados foram presos ao chegar.

Dmitry Valuev, diretor da organização Russian America for Democracy in Russia (RADR), acompanhou de perto a situação do casal e indicou que um juiz determinou que Nadezhda fosse deportada para a Rússia, mas ativistas ainda mantêm a esperança de que ela possa viajar para a França.

Alexei afirma que só se sentirá tranquilo quando vir sua mulher. "Estamos muito cansados: foram quase dois anos de estresse constante e dor. A separação é especialmente dura quando você não tem ideia de quando vai terminar", relatou.

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