Familiares de presos políticos iniciaram o terceiro dia de greve de fome nesta segunda-feira (16) em Caracas, pressionando por novas libertações, após a aprovação de uma lei de anistia ter sido adiada pela segunda vez na semana passada.
O governo da presidente interina Delcy Rodríguez anunciou um processo de libertações em 8 de janeiro, sob intensa pressão de Washington após a deposição de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, em um ataque dos Estados Unidos.
"Meu corpo está começando a sentir. Sinto muita fraqueza, cansaço ao acordar. E bem, não consigo mais descansar. Dormir bem, nada disso. Meu corpo está começando a sentir os efeitos da falta de comida", disse Evelin Quiaro, de 46 anos.
As libertações estão acontecendo aos poucos. Há mais de um mês, familiares estão acampados em frente às prisões, aguardando a libertação de seus entes queridos.
Dez mulheres iniciaram a greve de fome em 14 de fevereiro na entrada das celas da Polícia Nacional, conhecida como Zona 7, em Caracas, onde as famílias estão acampadas.
Seus rostos abatidos revelam fraqueza misturada com raiva, angústia e desespero. Estão deitadas em colchões enfileirados sob lonas improvisadas para se protegerem do sol escaldante.
"Até quando? Até quando vão nos manter assim?", lamenta Quiaro. "Estamos aqui há muito tempo, dormindo em barracas, vivendo em condições desumanas. As condições chegaram ao limite, e nós também", diz ela.
Na madrugada de 14 de fevereiro, 17 presos políticos foram libertados dessas celas, onde seu filho de 30 anos também está detido desde novembro de 2025, acusado de terrorismo, associação criminosa e financiamento do terrorismo.
Segundo os familiares, cerca de 60 detentos permanecem presos.
Uma das mulheres precisou interromper a greve de fome devido à pressão alta, explica um médico que as acompanha e que tentou, sem sucesso, visitá-las.
As mulheres protestam contra o adiamento - por duas vezes - da aprovação de uma lei de anistia que, em teoria, inclui 27 anos do regime chavista. Espera-se que a lei leve à libertação de centenas de detidos.
A próxima sessão legislativa está marcada para 19 de fevereiro, quando se prevê o debate final sobre a legislação antes de sua aprovação.
Mais de 600 presos políticos permanecem atrás das grades, e 444 receberam liberdade condicional desde 8 de janeiro, segundo a ONG Foro Penal.
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