O Festival de Cinema de Berlim começa nesta quinta-feira (12) com uma programação eclética de filmes, incluindo o mais recente trabalho do diretor brasileiro Karim Aïnouz, estrelado por Callum Turner e Elle Fanning, além de uma seleção de filmes que refletem as tensões internacionais atuais. 

Em um mundo cada vez mais polarizado, "é mais essencial do que nunca defender nossa liberdade artística", afirmou a diretora do festival, Tricia Tuttle, em entrevista à AFP. 

"Ditadores odeiam mentes criativas" que fazem de seus filmes "armas na luta pela liberdade e dignidade humana", declarou o ministro da Cultura alemão, Wolfram Weimer, em um comunicado à imprensa. 

"Não podemos permitir que os déspotas de Teerã ou Caracas saiam impunes", acrescentou. 

O renomado cineasta alemão Wim Wenders, presidente do júri, disse que "os filmes podem mudar o mundo (...) a ideia que as pessoas têm de como devem viver", em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira.

- Família -

Berlim é o primeiro grande festival internacional de cinema no calendário global e é conhecido por ser mais politicamente engajado do que outros eventos. 

A edição deste ano acontece em um contexto de tensões internacionais, com a repressão sangrenta aos protestos no Irã e ameaças globais aos direitos humanos. 

Diversos temas, incluindo "família e intimidade sob pressão, questões de cuidado, pertencimento e a experiência de viver entre múltiplos mundos", emergem da seleção, segundo Tuttle. 

A família está justamente no centro do novo filme de Karim Aïnouz, "Rosebush Pruning", que concorre ao Urso de Ouro, sobre um clã rico cujos segredos e mentiras são gradualmente revelados. O elenco inclui estrelas como Callum Turner, Elle Fanning e Pamela Anderson. 

Entre os 22 filmes que disputam o prêmio principal estão também "Moscas", do diretor mexicano Fernando Eimbcke, sobre a reviravolta na vida de uma mulher ao acolher uma criança, e "Josephine", da diretora Beth de Araújo - que tem cidadania americana e brasileira -, estrelado por Channing Tatum.

A atriz alemã Sandra Hüller, conhecida por seus papéis em "Anatomia de uma Queda" e "Zona de Interesse", interpreta em "Rose" uma mulher que se disfarça de soldado no início do século XVII. Também na competição, "At The Sea" apresenta uma mulher (Amy Adams) que retorna da reabilitação e precisa confrontar traumas antigos.

- Filme afegão -

O júri, presidido por Wenders, anunciará os vencedores em 21 de fevereiro, incluindo o sucessor de "Dreams", do diretor norueguês Dag Johan Haugerud, que ganhou o prêmio principal no ano passado. 

Quase 200 filmes serão exibidos durante o festival. 

A edição começa com "No Good Men", da cineasta afegã Shahrbanoo Sadat, que conta a história de Naru, uma jornalista da maior emissora de televisão de Cabul, separada do pai de seu filho devido às suas inúmeras infidelidades. Um encontro crucial, em meio à ofensiva dos talibãs, quando o grupo está prestes a retomar o poder no país, restaura sua fé nos homens. 

Shahrbanoo Sadat fugiu de seu país em 2021, quando os talibãs tomaram o poder, e agora reside na Alemanha. O filme "aborda a experiência das mulheres afegãs, que não veríamos sem o trabalho de Shahrbanoo", insiste Tuttle. 

Fora de competição, "Roya", da diretora iraniana Mahnaz Mohammadi, conta a história do dilema de uma professora: fazer uma confissão forçada ou permanecer detida na prisão de Evin, em Teerã.

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