O Ministério Público da Colômbia apontou, nesta quarta-feira (11), uma dissidência da extinta guerrilha das Farc como provável responsável por sequestrar durante algumas horas uma senadora de esquerda que também é uma líder indígena de destaque, segundo um comunicado.

A legisladora Aida Quilcué, integrante do partido do presidente Gustavo Petro, foi sequestrada na terça-feira, depois que homens armados interceptaram o veículo no qual se deslocava no departamento de Cauca (sudoeste), onde há atuação dos rebeldes.

Depois de cerca de três horas e meia, os sequestradores a libertaram quando perceberam a presença de um grupo de indígenas que estava à sua procura.

O Ministério Público afirmou nesta quarta que uma dissidência das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que não firmou o acordo de paz de 2016 "seria a responsável pelo sucedido".

Trata-se de uma estrutura que faz parte do Estado-Maior Central comandado pelo guerrilheiro conhecido como Iván Mordisco, um dos líderes rebeldes mais procurados do país e que declarou guerra a Petro.

A senadora contou na terça-feira à AFP que "vários homens armados" interceptaram o veículo em que estava e a obrigaram, junto com dois de seus seguranças, a caminhar para um local "desconhecido".

Também na terça-feira, Petro denunciou que escapou de uma tentativa de assassinato supostamente ordenada por um grupo de traficantes de drogas do qual Mordisco faz parte.

As ameaças contra a senadora e o mandatário acontecem às vésperas do processo eleitoral deste ano na Colômbia. O país realizará eleições legislativas em 8 de março e o primeiro turno presidencial em 31 de maio.

Petro está impedido por lei de buscar a reeleição. O candidato de seu partido, o senador de esquerda Iván Cepeda, é o favorito nas pesquisas.

Em agosto do ano passado, o senador de direita Miguel Uribe morreu dois meses depois de ser baleado durante um ato de campanha à presidência em Bogotá.

As autoridades ainda não descobriram quem foram os autores materiais desse atentado e suspeitam da Segunda Marquetalia, outra dissidência das Farc sob comando do antigo número dois dessa guerrilha, Iván Márquez.

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