O Irã intensificou, nesta segunda-feira (9), a repressão interna após a última onda de protestos, com novas detenções de políticos reformistas, em paralelo às negociações em curso com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear.

Antes de um novo ciclo de conversas com os Estados Unidos, o diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohamad Eslami, declarou que o país está disposto a "diluir" seu urânio enriquecido, se os Estados Unidos suspenderem as sanções.

O Irã foi sacudido nas últimas semanas por uma sequência de protestos que começou com manifestações pela crise econômica, mas se transformou em um movimento mais amplo que representou um dos maiores desafios ao poder desde a revolução de 1979.

Após os protestos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, multiplicou as ameaças de uma intervenção militar no Irã em resposta à repressão das manifestações e, depois, para pressionar Teerã a chegar a um acordo sobre o programa nuclear.

Desde então, o governo iraniano adotou uma estratégia dupla e, em paralelo à diplomacia, continuou a repressão, com uma série de detenções de políticos reformistas.

Desde domingo, cinco figuras do campo reformista foram presas, incluindo Azar Mansuri, seu porta-voz Javad Emam e o ex-deputado Ali Shakuri Rad, segundo a mídia iraniana.

Além disso, no fim de semana o Irã aumentou a pena da ganhadora do Nobel da Paz Narges Mohammadi e, nesta segunda, deteve Hossein Karubi, filho do reconhecido dissidente Mehdi Karubi.

O governo iraniano qualifica os protestos como "distúrbios" instigados pelos Estados Unidos e Israel.

- Frustrar "o inimigo" -

Os países ocidentais e Israel acusam o Irã de tentar dotar-se de armas nucleares, algo que Teerã nega, pois afirma que seu programa nuclear tem fins civis.

Após a retomada do diálogo com os Estados Unidos, em Omã, ambas as partes informaram que as conversas foram positivas, embora o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, tenha advertido nesta segunda que persiste a "desconfiança" em relação aos Estados Unidos.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, pediu ao país que demonstre sua "determinação" frente à pressão estrangeira.

"O poder nacional não tem tanto a ver com mísseis e aviões quanto com a vontade e a determinação do povo", afirmou Khamenei nesta segunda. "Demonstrem isso novamente e frustrem o inimigo."

Apesar das declarações do aiatolá, o Irã tem dado sinais de que pode ceder com vistas a um acordo para limitar seu programa nuclear e evitar um novo conflito com os Estados Unidos.

"Em resposta a uma pergunta sobre a possibilidade de diluir o urânio enriquecido a 60%", Eslami apontou que isso dependeria do levantamento de todas as sanções, sem detalhar se se referia à totalidade das sanções contra o Irã ou apenas às impostas pelos americanos.

O processo de diluição do urânio enriquecido envolve misturá-lo com outras substâncias para reduzir o nível de enriquecimento, de modo que o produto final não ultrapasse um determinado limite, o que prolongaria o tempo que o Irã levaria para criar material suficiente para fabricar uma bomba atômica.

Nas conversas realizadas em Omã na semana passada, os Estados Unidos e o Irã concordaram em negociar sobre o programa nuclear, mas Washington e Israel querem incluir também na agenda o programa de mísseis balísticos e o apoio de Teerã a grupos armados no Oriente Médio.

Em contrapartida, os Estados Unidos não deram nenhum sinal de que a repressão interna represente um problema para as negociações.

A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, disse ter confirmado 6.961 mortos, em sua maioria manifestantes, e registrou mais de 51.000 detenções.

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