Os Estados Unidos instaram nesta sexta-feira (6) a uma negociação tripartite com a Rússia e a China para estabelecer novos limites às armas nucleares, após a expiração, na quinta-feira, de um importante tratado com Moscou.
A China já rejeitou publicamente aderir às negociações de desarmamento "nesta etapa", enquanto a Rússia sugeriu que outros Estados com armas nucleares, como Reino Unido e França, também deveriam ser incluídos.
"O controle de armas já não pode ser uma questão bilateral entre os Estados Unidos e a Rússia", escreveu o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em um artigo publicado online.
"Outros países têm a responsabilidade de ajudar a garantir a estabilidade estratégica, e nenhum mais do que a China", afirmou.
Thomas DiNanno, subsecretário de Estado americano para controle de armas, apresentou um novo plano na Conferência de Desarmamento da ONU, no qual acusa o tratado Novo START, que expirou na quinta-feira, de apresentar "falhas fundamentais".
Na sexta-feira, DiNanno declarou que "as reiteradas violações da Rússia, a expansão dos arsenais em todo o mundo e as falhas no desenho e na aplicação do Novo START dão aos Estados Unidos um claro imperativo para exigir uma nova arquitetura que enfrente as ameaças de hoje, e não as de uma época passada".
- "Tratado modernizado" -
A expiração do Novo START, que limitava Estados Unidos e Rússia a 1.550 ogivas nucleares cada, deixa o mundo sem um tratado que regule as armas mais destrutivas do planeta, alimentando temores de uma nova corrida armamentista.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou uma proposta de seu homólogo russo, Vladimir Putin, para manter por mais um ano as restrições do Novo START e, na quinta-feira, pediu "um tratado novo, aprimorado e modernizado".
Rubio indicou que os Estados Unidos "negociarão a partir de uma posição de força".
"Rússia e China não deveriam esperar que os Estados Unidos fiquem de braços cruzados enquanto elas burlam suas obrigações e ampliam suas forças nucleares", escreveu Rubio.
"Manteremos uma dissuasão nuclear robusta, crível e modernizada. Mas faremos isso enquanto exploramos todos os caminhos para atender ao desejo genuíno do presidente de um mundo com menos dessas armas terríveis", acrescentou.
Trump afirmou querer retomar os testes nucleares pela primeira vez em décadas, embora até agora não tenha adotado essa medida.
- Sem limites -
DiNanno acusou a China de se aproveitar das restrições juridicamente vinculantes entre Estados Unidos e Rússia para começar a expandir seu arsenal em um ritmo histórico e afirmou que o país "caminha para superar 1.000 ogivas nucleares até 2030".
"Enquanto estamos aqui hoje, o arsenal nuclear da China não tem limites, não tem transparência, não tem declarações, não tem controles", disse.
DiNanno insistiu que "a próxima era do controle de armas pode e deve continuar com um foco claro, mas exigirá a participação não apenas da Rússia à mesa de negociações".
Rússia e Estados Unidos controlam juntos mais de 80% das ogivas nucleares do mundo.
Mas o arsenal nuclear da China cresce mais rapidamente do que o de qualquer outro país, a um ritmo de cerca de 100 novas ogivas por ano desde 2023, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo.
O representante adjunto da China junto ao escritório da ONU em Genebra, Shen Jian, reiterou a posição oficial de Pequim. Ele afirmou perante o organismo de desarmamento que "as capacidades nucleares da China estão muito longe do nível das dos Estados Unidos ou da Rússia".
"A China não participará de negociações de desarmamento nuclear nesta etapa", disse, insistindo que os "Estados que possuem os maiores arsenais nucleares devem continuar cumprindo suas responsabilidades" nessa área.
A Rússia, que não se considera mais vinculada aos limites do Novo START, avalia que qualquer novo diálogo deveria incluir outros Estados com armas nucleares, como França e Reino Unido, segundo seu embaixador Gennadi Gatilov junto à Conferência de Desarmamento em Genebra.
O embaixador britânico, David Riley, pareceu descartar a ideia, insistindo que "o Reino Unido mantém uma dissuasão nuclear mínima".
Por sua vez, a embaixadora francesa, Anne Lazar-Sury, afirmou que "todos os Estados com armas nucleares" deveriam buscar medidas para "reduzir o risco de uso de armas nucleares".
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