As autoridades francesas acusaram, nesta quinta-feira (5), quatro pessoas, incluindo dois cidadãos chineses, de interceptar dados militares sensíveis e entregá-los a Pequim, anunciou a Procuradoria de Paris. 

A polícia prendeu os quatro no fim de semana no sudoeste da França, onde os dois suspeitos chineses haviam alugado um imóvel pelo Airbnb para supostamente capturar informações sensíveis, incluindo dados de inteligência militar. 

Os dois detidos chineses estão em prisão preventiva, enquanto os outros dois foram liberados sob supervisão judicial, segundo uma fonte próxima ao caso. 

A investigação centra-se na "entrega de informações a uma potência estrangeira" que poderiam prejudicar interesses nacionais fundamentais, crime punível na França com até 15 anos de prisão. 

O caso teve início depois que moradores avistaram a instalação de uma antena parabólica com aproximadamente dois metros de diâmetro em 30 de janeiro, coincidindo com uma interrupção da internet local.

Uma busca realizada no dia seguinte levou à descoberta de "um sistema de computador conectado a antenas parabólicas que permitia a captura de dados de satélite", segundo a Procuradoria. 

O dispositivo permitia a interceptação ilegal de "trocas entre entidades militares", afirmou o órgão. 

Os dois cidadãos chineses teriam viajado para a França com a intenção de capturar dados do sistema de internet via satélite Starlink e de outras "entidades de vital importância" e transmiti-los para a China. 

"Meu cliente (...) nega as acusações feitas contra ele e não tem vínculos com nenhum serviço de espionagem", disse Baptiste Bellet, advogado de um deles, à AFP. 

Seus pedidos de visto indicavam que trabalhavam como engenheiros para uma empresa de pesquisa e desenvolvimento especializada em equipamentos de comunicação sem fio. 

Os outros dois suspeitos foram presos por suposta importação ilegal do equipamento, indicou a Procuradoria, sem fornecer detalhes sobre suas identidades.

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