A Rússia lançou menos drones e mísseis contra a Ucrânia em janeiro do que no mês anterior, mas desencadeou uma crise energética sem precedentes no país, segundo uma análise da AFP compilada nesta segunda-feira (2) com base em dados fornecidos pela Força Aérea ucraniana. 

Janeiro registrou os piores cortes de energia, calefação e água na Ucrânia desde o início da guerra, no final de fevereiro de 2022. 

No primeiro mês de 2026, o Exército russo lançou 4.452 drones de ataque contra o território ucraniano, 13% a menos do que em dezembro de 2025, e 135 mísseis, uma redução de 23%. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pressiona ambos os lados a chegarem a um acordo de paz no contexto de negociações trilaterais — as primeiras desse tipo desde o início do conflito — insinuou na semana passada que um cessar-fogo parcial entre Kiev e Moscou poderia ser estabelecido, e anunciou uma suspensão temporária dos bombardeios a instalações de energia.

Segundo Trump, o presidente russo, Vladimir Putin, concordou em suspender os ataques a Kiev "e outras cidades", onde as temperaturas estão atualmente em torno de -20°C; no entanto, o Kremlin anunciou que essa suposta mudança de tática, que deveria durar uma semana, estava prestes a expirar. 

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que Moscou apenas mudou o foco de seus ataques, visando objetivos logísticos como linhas férreas e áreas da linha de frente. 

Nas últimas semanas, Zelensky alertou que os sistemas de defesa aérea fornecidos por seus aliados ocidentais estavam ficando sem munição, deixando a Ucrânia vulnerável. 

Dos 4.452 drones e mísseis que, segundo a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou, os sistemas de defesa aérea do país interceptaram e derrubaram 3.788 projéteis, ou seja, 83%. 

Uma proporção ligeiramente superior a 80% dos projéteis derrubados em dezembro. 

Segundo as autoridades ucranianas, Kiev, com mais de 3 milhões de habitantes, foi a cidade mais afetada pelos cortes de energia, o que obrigou os moradores a procurar abrigo para se proteger do frio e da escuridão em tendas de emergência.

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