Uma juíza americana rejeitou neste sábado (31) o pedido do estado de Minnesota para obrigar o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) a suspender suas operações em larga escala no estado.
As autoridades federais realizaram operações em busca de imigrantes sem documentos por ordem do presidente Donald Trump no último mês neste estado do norte dos Estados Unidos.
A presença dos agentes migratórios causou tensão na população, que saiu às ruas para protestar contra o ICE. Dois manifestantes morreram pelas mãos de agentes federais.
Minnesota argumentou que a operação ordenada pelo governo violava seus direitos estaduais, mas a juíza federal Katherine Menendez escreveu em sua decisão: "Em última análise, o tribunal considera que o equilíbrio dos prejuízos não favorece de forma decisiva a concessão de uma medida cautelar".
Menendez ressaltou que essa decisão não constitui um julgamento definitivo sobre a ação geral apresentada pelo estado.
Ela também não se pronunciou sobre se as operações violentas do ICE contra os migrantes infringiam a lei.
A sentença foi proferida após o protesto massivo de dezenas de milhares de habitantes de Minnesota na sexta-feira contra a operação Metro Surge, à qual também se opõe a liderança democrata do estado.
– "Decepcionados" –
O democrata Jacob Frey, prefeito de Minneapolis, a maior cidade de Minnesota e principal alvo das operações federais, disse: "É claro que estamos decepcionados".
"Essa decisão não muda o que as pessoas viveram aqui: o medo, a perturbação e os danos causados por uma operação federal que nunca deveria ter ocorrido em Minneapolis", acrescentou em um comunicado.
As mortes de Renee Good e Alex Pretti pelas mãos de agentes encapuzados e fortemente armados provocaram protestos em todo o país, o que obrigou Trump a substituir no comando da operação em Minnesota o chefe da Alfândega e Proteção de Fronteiras, Gregory Bovino, por seu aliado de confiança na área migratória, Tom Homan, que se comprometeu a reduzir as operações na região.
David Schultz, professor de política e estudos jurídicos da Universidade de Hamline, afirmou que Minnesota argumentava em sua ação judicial que o governo estava "tentando forçar ou coagir o estado a fazer determinadas coisas".
"A procuradora-geral Pam Bondi enviou uma carta ao estado de Minnesota após a morte de Alex Pretti na qual dizia: 'Bem, se querem que cessem as operações do ICE, queremos que façam isto, isto e isto'. Parecia uma ameaça", afirmou Schultz.
Bondi descreveu a decisão da juíza como uma "grande" vitória legal para o Departamento de Justiça.
"Nem as políticas de santuário nem os processos sem fundamento impedirão que a Administração Trump aplique a lei federal em Minnesota", escreveu no X.
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