A líder opositora venezuelana María Corina Machado manifestou seu ceticismo nesta quarta-feira (28) diante da ideia do presidente colombiano, Gustavo Petro, de que o deposto mandatário Nicolás Maduro seja devolvido à Venezuela e julgado em seu próprio país.

"É algo que realmente nos chamou muita atenção", declarou Machado à imprensa, após um encontro com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

"Acho que há poucos outros chefes de Estado que conheçam o monstro do regime venezuelano por dentro como conhece o presidente da Colômbia", acrescentou.

Maduro "tem que ser devolvido e julgado por um tribunal venezuelano, não por um tribunal americano", afirmou Petro na terça-feira, durante um evento em Bogotá.

"Eu me pergunto se o presidente da Colômbia está ciente de que qualquer juiz na Venezuela que emita uma sentença contrária aos interesses do regime sabe que pode acabar como acabou a última juíza que emitiu uma decisão contrária ao regime, María Lourdes Afiuni", disse a opositora e Prêmio Nobel da Paz.

Afiuni foi detida em dezembro de 2009 e posteriormente condenada por ter ordenado a libertação sob fiança de um banqueiro, contrariando a vontade do então presidente Hugo Chávez.

Seu caso foi denunciado a instâncias como a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

"Não houve uma única sentença contra o regime a favor de um cidadão", recordou Machado.

Maduro foi detido e retirado da Venezuela por forças militares dos Estados Unidos na madrugada de 3 de janeiro, juntamente com sua esposa, Cilia Sánchez, sob uma ordem de busca e captura da Justiça americana.

Ambos aguardam julgamento em Nova York por acusações de narcotráfico, que negam.

Nesse caso, "a justiça internacional agiu", afirmou Machado.

"Nós agradecemos que a lei tenha sido aplicada e, pelo bem da Venezuela, pelo bem da Colômbia e pelo bem da região, é preciso acompanhar esse processo", concluiu.

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