A BBC anunciou, nesta quarta-feira (28), a nomeação de um diretor-geral interino, após a renúncia de Tim Davie, depois que a emissora exibiu uma edição enganosa de um discurso de Donald Trump, que pede uma indenização de 10 bilhões de dólares (R$52,9 bilhões).

Tim Davie permanecerá no cargo até 2 de abril, sendo substituído a partir dessa data por Rhodri Talfan Davies, "como diretor-geral interino até a posse de um titular permanente", informou a emissora britânica em seu site.

O presidente da BBC, Samir Shah, afirmou em comunicado que Davies é "um líder excepcional, que traz profunda experiência editorial", além de um "compromisso apaixonado com o poder da radiodifusão pública" no exercício da função.

Rhodri Talfan Davies, de 54 anos, foi anteriormente diretor da BBC País de Gales por quase uma década, antes de se tornar diretor de Nações em janeiro de 2021, supervisionando a programação da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

O atual diretor-geral interino também esteve à frente da estratégia da empresa no projeto de inteligência artificial generativa.

O diretor-geral anterior, Tim Davie, e a diretora da BBC News, Deborah Turness, renunciaram a seus cargos em 9 de novembro.

Em meados de janeiro, a emissora pública britânica anunciou que pedirá à Justiça americana que rejeite a ação por difamação movida por Donald Trump, que reivindica 10 bilhões de dólares pela edição enganosa de um de seus discursos.

O presidente americano apresentou a ação em dezembro, na Flórida, acusando o grupo audiovisual de difamação e de violar uma lei sobre práticas comerciais.

Por isso, Trump solicitou uma indenização de 5 bilhões de dólares (R$26,4 bilhões) por cada uma das duas acusações.

A BBC exibiu em seu programa jornalístico Panorama, pouco antes das eleições presidenciais americanas de 2024, trechos de um discurso de Donald Trump de 6 de janeiro de 2021, editados de forma a fazer parecer que o republicano convocava explicitamente seus apoiadores a atacar o Capitólio, em Washington.

Os advogados de defesa da BBC sustentam que Trump "não poderá demonstrar" que o documentário, exibido fora dos Estados Unidos, "lhe tenha causado um prejuízo juridicamente reconhecível". O presidente republicano "foi reeleito em 5 de novembro de 2024, após a exibição do documentário".

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

bur-psr/mb/lm/am

compartilhe