O ódio aos judeus está "em ascensão" novamente, alertou Tova Friedman, uma das últimas sobreviventes do Holocausto, durante um discurso nesta quarta-feira (28) na Câmara Baixa do Parlamento alemão, onde pediu uma postura firme contra o antissemitismo.
"Não deixem que o antissemitismo recupere sua força", pediu Friedman, uma das poucas testemunhas vivas do extermínio de seis milhões de judeus pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
Friedman discursou no Bundestag perante o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, o chanceler, Friedrich Merz, e deputados, durante uma cerimônia em memória das vítimas do nacional-socialismo.
"Saí de Auschwitz dizendo a mim mesma que nunca mais teria que ter medo de ser judia, nunca mais", declarou Friedman, de 87 anos, que sobreviveu ao campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, quando criança.
No entanto, "81 anos depois, grande parte do mundo se voltou contra nós", observou. Ela se assusta "ao pensar no que está acontecendo neste mundo" que ela achava que "já havia superado".
"Meu neto tem que esconder sua Estrela de Davi (...) e minha neta foi obrigada a sair do dormitório porque outros estudantes estavam praticando bullying contra ela", lamentou esta psicoterapeuta de Nova York, cuja família emigrou para os Estados Unidos depois da guerra.
"Nas ruas de Nova York, ouvem-se gritos de 'Hitler tinha razão!' e judeus do mundo todo se sentem expostos, atacados e odiados de novo", acrescentou.
Na Alemanha também, "o antissemitismo está em ascensão", acrescentou, instando os líderes a serem "um pouco mais firmes" em combatê-lo.
Friedman recebeu fortes aplausos.
A Alemanha está cada vez mais preocupada com o aumento do antissemitismo desde o ataque do movimento islamista palestino Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.
Em 2024, a Alemanha registrou um recorde de 6.236 crimes e ofensas antissemitas, três vezes mais do que em 2022. Quase metade (48%) foram atribuídos à extrema direita.
O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que agora lidera algumas das pesquisas de intenções de voto no país, quer romper com a cultura alemã de pedir desculpas pelas atrocidades nazistas.
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