O governo do Equador aceitou a proposta da Colômbia de se reunir para tratar da guerra comercial que os opõe, mas não na data sugerida por Bogotá, indicou a ministra das Relações Exteriores do Equador, Gabriela Sommerfeld, em declarações divulgadas nesta sexta-feira (23).

Os países se puniram mutuamente com tarifas de 30%, o que intensificou uma disputa comercial e diplomática com um foco no tráfico de drogas na fronteira comum. Após o impasse iniciado por Quito, Bogotá suspendeu o fornecimento de eletricidade.

Em uma tentativa de reduzir as tensões, a Colômbia propôs uma reunião bilateral na fronteira, neste domingo (25), de acordo com uma carta oficial divulgada pela imprensa local. 

"O Equador fez uma contraproposta de datas, para a próxima semana, para poder manter diálogos", disse Sommerfeld em declarações divulgadas pelo canal nacional TC.

Explicou que Quito não pode comparecer ao compromisso neste domingo porque "está recebendo, nas instalações do Ministério das Relações Exteriores, uma missão de segurança de um importante país cooperante" na luta contra o crime organizado.

A ministra, que acompanha o presidente Daniel Noboa em sua visita a Bruxelas após participar do Fórum Econômico Mundial de Davos, assinalou que, no encontro com autoridades colombianas, vai "insistir" neste "tema tão importante" de enfrentar de maneira conjunta o narcotráfico na zona fronteiriça.

Noboa acusa seu homólogo colombiano, o esquerdista Gustavo Petro, de não fazer o suficiente contra os cartéis que, hoje, colocam o Equador entre os países mais violentos da região.

"Para responder aqui ao colega presidente do Equador, que não gosta nada de mim (...), vendemos energia quando precisavam, mas agora, como não precisam...", disse Petro e acrescentou que o problema do narcotráfico na fronteira tem uma responsabilidade compartilhada.

Equador assegura ter capacidade suficiente para cobrir a demanda de energia. Segundo autoridades do setor, o país tem autonomia para 45 dias, em condições climáticas normais, mas especialistas apontam possíveis riscos em períodos de seca.

A Colômbia é o maior sócio comercial do Equador dentro da Comunidade Andina, que inclui Bolívia e Peru, e o segundo no mundo depois dos Estados Unidos, dos quais Noboa é um dos principais aliados na região.

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