O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inaugurou seu "Conselho de Paz" na quinta-feira (22) em Davos, em meio ao ceticismo em torno de seu plano de reescrever a ordem mundial, e horas depois retirou o convite feito ao primeiro-ministro canadense para se juntar à organização.
Após um discurso no qual analisou as situações em Gaza, Irã, Ucrânia e Venezuela, o republicano assinou o documento que cria sua própria entidade global de resolução de conflitos na estação de esqui suíça, acompanhado por cerca de vinte líderes, incluindo Javier Milei, da Argentina, e Santiago Peña, do Paraguai.
Trump convidou outros líderes para participar, incluindo Volodimir Zelensky, da Ucrânia, Vladimir Putin, da Rússia, Benjamin Netanyahu, de Israel, e o papa Leão XIV, embora alguns tenham recusado o convite para se juntar à organização, que cobra US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) pela adesão permanente.
Horas depois de seu discurso para as elites globais, ele surpreendeu a todos em sua rede social Truth Social ao anunciar que estava retirando o convite feito ao líder canadense Mark Carney: "Que esta carta sirva como notificação de que o Conselho de Paz retira seu convite para a adesão do Canadá".
Carney atraiu a atenção internacional em Davos esta semana por seus comentários sobre um "colapso" no sistema de governança global liderado por Washington, o que provocou uma resposta indignada de Trump no fórum.
O Canadá "não existe graças aos Estados Unidos", afirmou o primeiro-ministro canadense na quinta-feira, cujo governo também declarou que não pagará para participar do Conselho.
Essa iniciativa, que Trump afirma que funcionará "em colaboração" com a ONU, busca reforçar sua imagem de pacificador, um dia após retirar suas ameaças contra a Groenlândia, um território autônomo dinamarquês que ele considera fundamental para a segurança dos EUA.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou na manhã desta sexta-feira, após uma reunião de líderes em Bruxelas, que a União Europeia tem "sérias dúvidas" sobre o Conselho, especificamente em relação ao seu escopo de atuação e sua compatibilidade com a Carta da ONU.
Embora o órgão tenha sido criado inicialmente para supervisionar a reconstrução de Gaza após a guerra entre o Hamas e Israel, seus estatutos não limitam sua função ao território palestino e suscitaram preocupações de que Trump queira que ele rivalize com a ONU.
Sua criação também decorre da frustração do presidente americano por não ter ganhado o Prêmio Nobel da Paz, concedido à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado.
- "Nova Gaza" e Ucrânia -
Washington aproveitou o encontro de elites globais na Suíça para revelar seus planos para uma "nova Gaza", que, em três anos, transformaria o devastado território palestino em um luxuoso complexo de arranha-céus à beira-mar.
"Eu disse: olhem para este local à beira-mar. Olhem para esta bela propriedade. O que isso poderia significar para tantas pessoas", declarou Trump durante o Fórum Econômico Mundial.
Ele também se reuniu com o presidente ucraniano Zelensky, que anunciou ter chegado a um acordo com Trump sobre garantias de segurança dos EUA em um possível cenário pós-guerra.
Zelensky reconheceu em Davos que o apoio de Trump é "indispensável", especialmente porque, segundo ele, a Europa continua sendo um território "fragmentado" e parece "perdida na tentativa de convencer o presidente americano a mudar".
Em Moscou, o Kremlin anunciou uma reunião "trilateral" com autoridades americanas e ucranianas sobre "segurança" nesta sexta-feira nos Emirados Árabes Unidos, após um encontro na capital russa entre Putin e o enviado de Trump, Steve Witkoff.
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