O corte da internet no Irã, que segundo manifestantes foi decidido para ocultar a amplitude da repressão, está em andamento há duas semanas, afirmou nesta quinta-feira (22) uma organização não governamental especializada em segurança cibernética.

"O Irã está agora há duas semanas completas sob um bloqueio nacional da internet", disse a NetBlocks em uma publicação na rede social X.

Nos últimos dias, mais usuários conseguiram acessar a internet em momentos ocasionais, mas, segundo a NetBlocks, isto é esporádico e limitado a sites aprovados pelo governo.

"Na hora 336, os níveis de conectividade permanecem estagnados, com apenas um leve aumento na espinha dorsal que abastece as redes autorizadas pelo regime", indicou.

"Alguns usuários agora conseguem se conectar ao mundo exterior por meio de túneis" (encapsulamento de pacotes de dados), acrescentou, sem especificar quais ferramentas são utilizadas.

Na quarta-feira, em seu primeiro balanço oficial dos protestos, as autoridades iranianas informaram um total de 3.117 mortos durante as manifestações.

A Fundação do Irã para Mártires e Veteranos distinguiu os "mártires", que, segundo afirmou, eram membros das forças de segurança ou transeuntes inocentes, do que descreveu como "desordeiros" apoiados pelos Estados Unidos Dos 3.117, afirmou que 2.427 eram "mártires".

Grupos de direitos humanos afirmam, pelo contrário, que as forças de segurança dispararam contra os manifestantes e estimam que o número real de mortos pode ser muito maior e até ultrapassar os 20 mil.

Organizações de defesa dos direitos humanos denunciam que o bloqueio da internet impede que realizem seu trabalho e oculta a magnitude da repressão.

Esta interrupção começou na noite de 8 de janeiro, quando eclodiram protestos multitudinários em várias cidades contra o governo dos aiatolás, no poder desde 1979.

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